Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
4

Hamas rejeita pressão

O Hamas rejeitou as condições impostas pelo ‘Quarteto’ para a concessão de ajuda, considerando-as ‘injustas’. Após uma reunião em Londres na segunda-feira, a ONU, a União Europeia, os EUA e a Rússia exigiram “a todos os membros do futuro governo palestiniano que assumam o compromisso da não-violência, reconheçam o estado de Israel e aceitem acordos já celebrados, incluindo ‘Roteiro da Paz’”.
1 de Fevereiro de 2006 às 00:00
A publicação de 12 caricaturas de Maomé, em 30 de Setembro, no diário dinamarquês ‘Jyllands-Posten’, suscitou indignação  por parte de governos muçulmanos e protestos antidinamarqueses
A publicação de 12 caricaturas de Maomé, em 30 de Setembro, no diário dinamarquês ‘Jyllands-Posten’, suscitou indignação por parte de governos muçulmanos e protestos antidinamarqueses FOTO: Ali Ali/EPA
À laia de resposta, Khaled Meshaal, líder da Comissão Política do Hamas, afirmou num artigo que escreveu no jornal britânico ‘Guardian’ que “o Hamas é imune à corrupção, à intimidação e à chantagem” e apelou aos países árabes para aumentarem a ajuda aos palestinianos, argumentando que estes não podem ficar à espera de ajuda de países que associam a condições humilhantes cada dólar e euro que dão”.
Falando à Agence France Presse, Ismail Haniya, também da Comissão Política do Hamas, alinhou pelo mesmo diapasão. “A ajuda não deve estar ligada a condições injustas”, declarou, exigindo o fim da ocupação e dos ataques israelitas contra os palestinianos.
Numa demonstração de força, Israel matou ontem dois militantes da Jihad Islâmica, entre os quais o comandante daquele grupo na Cisjordânia, Nidal Abu Sadi.
É nesta atmosfera tensa e com o corte de financiamento no horizonte que o Hamas vai tentar formar uma coligação. Resta saber como vai sobreviver sem os mais de mil milhões de dólares concedidos anualmente pela União Europeia e pelos Estados Unidos.
Recorde-se que também Israel congelou a transferência das receitas (cerca de 50 milhões de dólares) que mensalmente transfere para a Autoridade Palestiniana relativas aos impostos cobrados aos trabalhadores palestinianos e às taxas aduaneiras cobradas por produtos destinados aos territórios ocupados que entram através de portos israelitas.
PALESTINIANOS COM HUMOR
Os palestinianos estão a encarar com humor as mudanças políticas ditadas pelo resultado das legislativas. São incontáveis as piadas que passam de boca em boca e circulam através dos SMS. “O Hamas suspendeu as operações suicidas antes das eleições porque precisava de todos os votos dos apoiantes” e “aproveite o desconto e compre já o seu lenço Hamas. Você vai precisar dele mais cedo ou mais tarde”, foram das primeiras a circular. Até as jovens passaram a cumprimentar-se em tom jocoso: “Que a paz esteja contigo”, em vez do habitual olá.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)