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Correio da Manhã

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Hoje Gaza, amanhã Jerusalém

Milhares de palestinianos festejam em delírio a histórica retirada de Israel da Faixa de Gaza, após 38 anos de ocupação, a qual deverá começar no início desta semana. Ao longo desta última semana, com os preparativos em marcha para a implementação do polémico plano de desanexação delineado pelo líder israelita, Ariel Sharon, sucederam-se as manifestações de júbilo às quais se associou o presidente da Autoridade Nacional Palestiniana, Mahmoud Abbas.
14 de Agosto de 2005 às 00:00
Hoje Gaza, amanhã Jerusalém
Hoje Gaza, amanhã Jerusalém FOTO: Reuters
"Hoje Gaza, amanhã Jenin (Cisjordânia) e depois Jerusalém”, afirmou o líder da Autoridade Nacional Palestiniana perante os milhares de pessoas que assistiram ontem ao ‘festival da vitória e liberdade’, na Cidade de Gaza.
Contrariando os serviços de segurança, Abbas fez questão de estar presente naquele evento durante o qual sublinhou que a retirada israelita de Gaza oferece ao povo “um ponto de partida para a criação de um Estado palestiniano com Jerusalém como capital”.
Dirigindo-se aos numerosos pescadores presentes no festival, que decorreu no pequeno porto piscatório da cidade, o líder palestiniano acrescentou: “Hoje começa a marcha dos pescadores rumo à liberdade. Em breve, podereis pescar em todas as costas da Palestina”. A multidão respondeu entoando cânticos de elogio a Abbas.
Os festejos dos palestinianos contrastam com o ambiente tenso em Israel. Os movimentos radicais, incluindo os dos colonos, contestam a retirada e prometem não acatar as ordens do Exército que a partir de amanhã vai pedir aos colonos para saírem de Gaza e de quatro colantos na região de Jenin, no Norte da Cisjordânia.
HAMAS VAI RESISTIR
Apesar da nova promessa de paz que representa a retirada israelita de grande parte da terra ocupada após a Guerra dos Seis Dias, persiste a tensão. Ontem, líderes do Hamas afirmaram que não vão depor as armas. “Onde quer que existe ocupação existe resistência. Resistiremos até que o invasor se retire de todos os nossos lugares santos” – afirmou Ismail Haniyah, em conferência de Imprensa, rodeado de dez dos fundadores do movimento fundamentalista.
SEGURANÇA
FAIXA DE GAZA
CONTROLO PROSSEGUE
Israel vai vigiar o perímetro de Gaza, continuar a controlar o espaço aéreo do território e prosseguir a patrulha marítima da região costeira.
DESMILITARIZAÇÃO
A Faixa de Gaza deverá ser desmilitarizada e retirado todo o armamento que não esteja conforme o estabelecido nos acordos israelo-palestinianos.
DIREITO À AURO-DEFESA
Israel reserva o seu direito fundamental à auto-defesa, quer preventiva, quer ainda reactiva.
CISJORDÂNIA
PRESENÇA MILITAR
Após a evacuação da área da Samaria, no norte, não haverá na região qualquer presença militar israelita permanente.
FLEXIBILIDADE
Noutras áreas da Cisjordânia, as actividades de segurança prosseguirão consoante as circunstâncias o determinarem.
‘CHECK-POINTS’
Israel trabalhará para reduzir o número de ‘check-points’ ao longo da Cisjordânia.
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