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Homem abraça polícia que matou o irmão: "Nem quero que vá presa"

Guyger não estava em trabalho quando entrou no apartamento errado e matou Botham Jean na sua própria casa.
SÁBADO 3 de Outubro de 2019 às 19:36
Homem abraça polícia que matou o irmão: 'Nem quero que vá presa'
Homem abraça polícia que matou o irmão: 'Nem quero que vá presa'
Homem abraça polícia que matou o irmão: 'Nem quero que vá presa'
Homem abraça polícia que matou o irmão: 'Nem quero que vá presa'
Homem abraça polícia que matou o irmão: 'Nem quero que vá presa'
Homem abraça polícia que matou o irmão: 'Nem quero que vá presa'
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"Não há justiça, não há paz", gritaram os presentes quando foi anunciada a decisão de que Amber Guyger, ex-polícia de Dallas, EUA, ia ser condenada a 10 anos de prisão por ter matado Botham Jean, um homem negro desarmado, no seu apartamento. Mas, enquanto o momento fora da sala de audiências era de desagrado e raiva, lá dentro, o irmão de Botham, só tinha perdão a oferecer.

"Eu não era para dizer isto em frente à minha família, ou a qualquer outra pessoa, mas eu nem quero que vá para a prisão, disse Brandt Jean, momentos antes de se aproximar da condenada e a abraçar. "Eu só quero o melhor para ti", completou.

Guyger, agente branca que disparou contra Botham, foi condenada esta quarta-feira a 10 anos de prisão por homicídio. A sua pena podia variar entre os 2 e os 99 anos, de acordo com a lei. A procuradoria tinha pedido 28 anos, a idade que Botham teria se fosse vivo. Quando, na terça-feira, o júri considerou a mulher culpada, muitos ativistas pediram que o júri considerasse uma pena pesada. "Porquê condenar alguém por homicídio e depois dar apenas 10 anos? Isso é um balde de água fria", considerou Dominique Alexander, presidente da Next Generation Action Network.

Guyer não estava em trabalho quando, a 6 de setembro, entrou no apartamento errado, um andar abaixo do seu. Pensou que tinha um intruso em sua casa, tendo puxado da arma e disparado. Estava, na verdade, em casa de Botham Jean e assassinou-o quando este estava no seu lar. 



Durante o dia em tribunal, os testemunhos de ambas as famílias deixaram juiz e membros do júri com lágrimas nos olhos, relata o jornal norte-americano The New York Times.

Botham Jean, morto pela agente da polícia, tinha 26 anos. Era de St. Lucia, e desde que se diplomou pela Universidade Harding, trabalhava na consultora PwC. Lee Merritt. Segundo a família, vivia em Dallas e usava roupas de marca e conduzia dentro do limite de velocidade para evitar confrontos com a polícia. Sabia que muitas vezes esses encontros acontecem com polícias propensos à violência quando o cidadão é negro. O pai lembrava que todos os domingos falava com o filho ao telefone onde partilhavam momentos das homilias daquele dia e fotografias de comida. "Os meus domingos foram destruídos", disse o homem durante o julgamento.

"Teria sido diferente se ele fosse um homem branco? Teria ela reagido de maneira diferente? Ela [Amber Guyger] tirou-me a vida, tirou a minha própria vida", disse a mãe de Botham, Allison Jean, poucos dias depois da morte do filho.

Já a família de Amber disse, durante o julgamento que no último ano, a mulher tinha perdido o seu tom jovial e a sua personalidade extrovertida, tendo várias vezes expressado um grande arrependimento pelo caso e jurando que preferia que tivesse sido ela a morrer, em vez do jovem negro. "Ela sente-se mal por estar com a família porque ele [Botham] não pode estar com a dele", referiu a irmã de Guyer.

No final do julgamento e da leitura da sentença, Allison Jean disse aos jornalistas que iria continuar a lutar. "Aqueles 10 anos na prisão são 10 anos que vão servir para ele refletir e mudar a sua vida. Mas ainda há muito que é preciso fazer em Dallas."
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