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Deixa cão de 11 meses em agonia durante quatro horas mas juiz considera acidente

Vizinhos chamaram a polícia quando viram que Chloe tinha sido impedido de respirar com uma braçadeira de plástico.
Sofia Martins Santos 4 de Outubro de 2019 às 17:32
Homem deixa cão de 11 meses em agonia durante quatro horas mas juiz considera acidente
Homem deixa cão de 11 meses em agonia durante quatro horas mas juiz considera acidente FOTO: Facebook

Um homem de 48 anos atou o focinho de um pastor alemão, de apenas 11 meses, com uma braçadeira, e deixou-o assim durante quatro horas no quintal de casa em Mt Gambier, na Austrália.

Os vizinhos aperceberam-se de que o animal estava em perigo, com dificuldades em respirar, e chamaram a polícia. O australiano acabou por ser formalmente acusado de maus-tratos a um animal e teve de se apresentar a tribunal.

De acordo com o Daily Mail, as consequências, no entanto, não foram as que muitos esperavam. Com o argumento de que se esqueceu de retirar a braçadeira antes de ir trabalhar, conseguiu sair do tribunal sem qualquer penalização. 

De acordo com Brad Ward, veterinário da Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals (RSPCA), é essencial que os cães consigam respirar pela boca, já que é a forma que têm de conseguir manter a temperatura corporal.

"É a arfar que os cães conseguem arrefecer o corpo. Ao contrário de nós, eles não possuem um sistema eficaz de glândulas sudoríparas (glândulas que produzem o suor e permitem regular a temperatura do corpo)", explicou o especialista, acrescentando que impedir que um cão regule a temperatura é "colocá-lo em risco extremo".

No entanto, o advogado de defesa do dono de Chloe conseguiu convencer o juiz de que tudo não passou de um acidente. 

O cão acabou por ser retirado ao dono e já tem uma nova família, mas o resultado deste caso gerou revolta pela falta de consequências. 



Os maus-tratos a animais na Austrália e a falta de consequências já fizeram correr muita tinta. Em agosto deste ano, o país foi notícia pelo elevado número de casos de abuso. Só os abandonos chegaram a 579 nos últimos meses, ultrapassando os 567 em 2018.

"Nem sempre conseguimos localizar os autores dos maus-tratos e, por isso, muitas vezes as acusações não prosseguem", lamenta Andrea Lewis, da RSPCA.

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