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Correio da Manhã

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Homenagem na GNR

O comandante-geral da GNR, tenente-general Mourato Nunes, considerou ontem que a missão do Subagrupamento Alfa no Iraque “escreveu uma das páginas mais importantes da história recente de Portugal”.
30 de Abril de 2005 às 00:00
Os militares do subagrupamento Alfa foram homenageados na Escola Prática da GNR em Queluz
Os militares do subagrupamento Alfa foram homenageados na Escola Prática da GNR em Queluz FOTO: Jorge Godinho
As palavras foram proferidas durante a imposição de medalhas aos 420 militares dos quatro contingentes da Guarda que prestaram serviço em Nassíria, numa cerimónia realizada no Quartel da Escola Prática da Guarda Nacional Republicana, em Queluz.
“A guarda sente-se orgulhosa desta missão, sobre a qual fazemos um balanço francamente positivo, independentemente das razões da nossa ida para o Iraque”, afirmou Mourato Nunes, considerando que não beneficiaram com ela os militares que estiveram no Iraque, mas toda a Guarda. “A auto-estima e autoconfiança que esta missão trouxe é importantíssima”, afirmou o comandante da GNR.
À cerimónia, considerada uma homenagem interna da Guarda aos seus militares, não esteve presente qualquer membro do governo português. Marcou presença, no entanto, um representante da embaixada italiana, uma vez que a homenagem foi alargada aos militares italianos da MSU, força multinacional sob comando italiano na qual estiveram integrados os contingentes portugueses. Nesse âmbito foi deposta uma coroa de flores em honra dos italianos mortos no Iraque num ‘monumento aos caídos’ existente na Escola Prática.
Mourato Nunes considerou que o facto de Portugal não ter a lamentar quaisquer baixas se deve à sorte, é certo, mas também à preparação dos contingentes enviados para o terreno. “Tivemos a estrela da sorte do nosso lado, mas também a construímos com o nosso trabalho e dedicação e com muito investimento na preparação que fizemos e sobretudo com o equipamento que pusemos à disposição dos nossos elementos”, afirmou.
OPERACIONALIDADE GARANTIDA
Sobre as dificuldades financeiras do Ministério da Administração Interna, reconhecidas pelo ministro António Costa, Mourato Nunes considerou que em nada afecta a operacionalidade da Guarda. “A população pode estar tranquila porque a Guarda continua a cumprir cabalmente as suas missões.”
O comandante reconheceu que “se tenta fazer mais e melhor com os mesmos recursos, que são escassos”, mas afirmou que “a preocupação não é nova, é de todos os anos”. A gestão dos recursos não terá reflexo na falta de motivação dos militares, garantiu o comandante da GNR, sublinhando que “ninguém na GNR se lamentou”.
NOVOS ATAQUES DE ZARQAWI
Escassas horas após ter sido aprovado no Parlamento o primeiro governo iraquiano democraticamente eleito, uma vaga de ataques no Iraque matou ontem pelo menos 29 pessoas. O grupo do terrorista jordano Abu Musab al-Zarqawi, líder da al-Qaeda no Iraque, reivindicou um dos atentados e ameaça com novas acções violentas.
Num desafio claro ao novo executivo, liderado pelo primeiro-ministro Ibrahim al-Jafari, os rebeldes fizeram deflagrar vários carros-armadilhados um pouco por todo o país. Só na capital, Bagdad, e na vizinha localidade de Madaen foram nove os ataques, tendo os restantes sido em Baquba e na cidade curda de Arbil. Registou-se ainda um ataque contra uma base americana a norte de Bagdad, que causou a morte a um soldado e feriu outros dois. No total, 20 mortos e quase uma centena de feridos.
O líder da al-Qaeda no Iraque apressou-se a reivindicar alguns dos atentados. Numa gravação áudio divulgada na internet, um homem que se identifica como sendo Zarqawi pediu aos ‘mjaidines’ (combatentes islâmicos) que não deixem “em paz” o presidente dos EUA, George W. Bush, e que prossigam os ataques contra as forças de ocupação no Iraque. A mensagem é a segunda a ser divulgada este ano.
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