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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Houthis ameaçam atacar navios em trânsito para porto israelita de Haifa

Rebeldes alertaram que navios que naveguem para essa infraestrutura passam a ser alvos.

20 de maio de 2025 às 00:02

Os rebeldes Houthis do Iémen anunciaram, esta segunda-feira, que vão implementar um "bloqueio naval" contra Haifa, o principal porto de Israel, alertando que os navios que naveguem para essa infraestrutura passam a ser alvos.

"Todas as empresas cujos navios estão presentes ou se dirigem para este porto são informadas de que, a partir deste anúncio, o porto (...) foi incluído na nossa lista de alvos", sublinhou o porta-voz dos Houthis, Yehya Saree.

Esta decisão "é uma resposta à escalada da brutal agressão israelita contra o nosso povo e em Gaza", frisou, acrescentando que os seus ataques contra Israel "cessarão quando a agressão contra Gaza terminar e o bloqueio [do enclave] for levantado".

Antes, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, tinha anunciado, esta segunda-feira, a sua intenção de "assumir o controlo" de toda a Faixa de Gaza, onde a Defesa Civil reportou 91 vítimas dos ataques israelitas durante o dia.

Nas últimas duas semanas, os Houthis reivindicaram a responsabilidade por vários ataques ao Aeroporto Internacional de Telavive, em Israel, e numa ocasião conseguiram chegar à instalação, a primeira vez que um ataque deste tipo aconteceu desde o início da ofensiva israelita em Gaza, em outubro de 2023.

Os Houthis integram o chamado "eixo de resistência" liderado pelo Irão contra Israel, de que fazem parte outros grupos radicais da região, como o Hezbollah libanês e os palestinianos Hamas e Jihad Islâmica.

Os Houthis iniciaram ataques contra a navegação comercial na região do Mar Vermelho, em novembro de 2023, para prejudicar economicamente Israel, em alegada solidariedade com o grupo islamita palestiniano Hamas na guerra na Faixa de Gaza, ao mesmo tempo que lançou dezenas de ataques diretos contra território israelita.

As ações dos Houthis no Mar Vermelho e no Golfo de Aden, uma região vital para o comércio global, levaram ao início de campanhas de bombardeamento no Iémen por parte dos Estados Unidos e do Reino Unido.

Em 06 de maio, Omã anunciou que os Houthis e os Estados Unidos concordaram com um cessar-fogo, pouco depois de o Presidente norte-americano declarar o fim dos ataques no Iémen, apesar de persistirem as hostilidades entre o grupo rebelde e Israel.

Israel retomou as operações militares na Faixa de Gaza em 18 de março, quebrando uma trégua de dois meses, e anunciou um plano, no início de maio, para conquistar o território e deslocar 2,4 milhões de residentes para o extremo sul do enclave.

No fim de semana, iniciou uma nova operação terrestre e aérea no território, após vários dias consecutivos de bombardeamentos que provocaram centenas de mortos, segundo as autoridades locais controladas pelo Hamas.

O conflito foi desencadeado pelos ataques liderados pelo Hamas em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, onde fez cerca de 1.200 mortos, na maioria civis, e mais de duas centenas de reféns.

Em retaliação, Israel lançou uma operação militar na Faixa de Gaza, que já provocou mais de 53 mil mortos, segundo as autoridades locais, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação forçada de centenas de milhares de pessoas.

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