Ucrânia rejeitou os pedidos da Eslováquia e da Hungria para constatar os danos e contestou o "estatuto oficial" desta missão.
O ministro da Energia húngaro anunciou esta quarta-feira o envio de uma delegação à Ucrânia para estabelecer o diálogo sobre o restabelecimento do funcionamento do oleoduto Druzhba, embora Kiev conteste o estatuto oficial dessa delegação.
"Hoje a nossa delegação atravessará a fronteira e irá a Kiev para (...) iniciar um diálogo de fundo", disse Gabor Czepek, precisando que ele próprio participaria, assim como representantes da Eslováquia, país também afetado pela interrupção do fornecimento de petróleo russo através deste oleoduto, que a Ucrânia afirma ter sido danificado no final de janeiro por um ataque russo.
No entanto, a diplomacia ucraniana contestou o "estatuto oficial" desta missão.
"No território da Ucrânia, este grupo não tem qualquer estatuto oficial nem qualquer reunião oficial prevista, pelo que é certamente incorreto chamá-los de "delegação"", afirmou aos jornalistas o porta-voz da diplomacia ucraniana, Gueorguii Tykhy.
Segundo Czepek, "a missão visa defender firmemente os interesses húngaros na mesa das negociações e garantir que o oleoduto Druzhba seja reaberto o mais rapidamente possível".
Acrescentou que esta delegação estava "encarregada de levar a cabo uma missão de averiguação dos factos relativos ao oleoduto" para avaliar o seu estado e "criar as condições necessárias para o seu regresso ao serviço".
No entanto, até agora, a Ucrânia rejeitou os pedidos da Eslováquia e da Hungria para constatar os danos.
Bratislava e Budapeste acusam Kiev de protelar as reparações.
O primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, afirmou que, de acordo com os serviços secretos do país, os trabalhos de reparação estavam concluídos.
A Hungria, por sua vez, bloqueia um empréstimo da União Europeia de 90 mil milhões de euros à Ucrânia e a adoção de um novo pacote de sanções contra a Rússia, enquanto Kiev não retomar as entregas através do oleoduto.
O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, acusou na terça-feira diretamente o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, de "querer punir as famílias e os empresários húngaros com o bloqueio do petróleo".
"Está a chantagear e a ameaçar levar um governo pró-ucraniano ao poder na Hungria. Não permitiremos isso. Vamos proteger as famílias húngaras e os empresários húngaros com o preço protegido", afirmou.
Na terça-feira, o parlamento húngaro aprovou uma resolução para vetar a concessão de ajuda à Ucrânia e a adesão à UU devido aos "graves riscos que isso ia acarretar" para os Estados-membros.
O porta-voz do Governo húngaro, Zoltan Kovacs, indicou que a medida foi aprovada com o apoio dos deputados, que recusaram continuar a financiar a guerra e a transformar a UE numa união "político-militar".
Budapeste, que se viu obrigada a libertar 250.000 toneladas de petróleo bruto da reserva estratégica do país, insistiu que a Ucrânia mantém o oleoduto fechado como medida de pressão e com fins políticos, para desencadear uma crise energética que influencie os resultados das eleições previstas para 12 de abril na Hungria e, assim, conseguir um Governo mais amigável de Kiev.
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