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Correio da Manhã

Mundo

IAN HUNTLEY FOI ACUSADO DO HOMICÍDIO DAS MENINAS

Ian Huntley, funcionário da escola onde Holly Wells e Jessica Chapman estudavam, foi ontem acusado oficialmente pelo assassinato das duas meninas de dez anos.
20 de Agosto de 2002 às 22:41
Após formulada a acusação, Ian foi internado numa unidade psiquiátrica de um hospital de alta segurança, sob recomendação médica. Um alívio para a Polícia que, numa verdadeira corrida contra o tempo, tenta agora incriminar a outra suspeita, Maxine Carr, namorada de Ian, que ontem permanecia detida para interrogatório.

O casal tinha sido preso na passada sexta-feira para interrogatório, quase duas semanas depois do desaparecimento de Holly e Jessica, cujos cadáveres foram encontrados no sábado, numa floresta de Suffolk.

Após os resultados inconclusivos das autópsias, a Justiça britânica tinha decidido prolongar os interrogatórios para as autoridades conseguirem apresentar a acusação contra os dois suspeitos. As provas do alegado envolvimento dos dois no homicídio das crianças não foram divulgadas e é sentimento generalizado em toda a Grã-Bretanha que a Polícia continua ainda “às escuras” neste caso que está a chocar o país.

Desde o anúncio, na semana passada, de que o casal poderia estar envolvido na morte de Holly e Jessica, a Imprensa não cessa de revelar pormenores sobre os dois. Sabe-se já que Ian e Maxine chegaram a Soham com nomes falsos. Maxine recorreu ao apelido Carr, em vez do original Capp, e Ian utilizou o nome Nixon, apelido da mãe.

Por sua vez, os respectivos ex-namorados de Ian e Maxine fazem questão de afirmar que as suas personalidades são muito instáveis, em particular a de Maxine, que tinha comportamentos muito extremos. Ian, conhecido como mulherengo, chegou a casar, em 1995, com Claire Evans, uma rapariga que acabou por trocá-lo pelo seu irmão mais novo, atitude que deixou Ian à beira da depressão. A mãe, Lynda, também contribuiu para o estado psicológico, devido a um tórrido relacionamento com outra mulher.

A acusação formal contra Ian não trará, certamente, sossego à pequena localidade de Soham, onde paira o medo. Depois de confirmadas as trágicas mortes, as famílias, muitas das quais receberam já ajuda psicológica, temem pelos seus filhos e as crianças não andam sozinhas nas ruas: os pais levam-nas ao colo ou pela mão - um medo visível a cada olhar, a cada gesto.

Ontem, mais de mil velas ardiam na Igreja de St. Andrew e milhares de flores circundavam o local. Foram ainda enviados mais de oito mil “e-mails” de condolências para um “site” especial e ficaram registados mais de 14 mil telefonemas de pessoas que continuam a tentar superar a morte trágica de Holly e Jessica.

‘Floresta dos horrores’

A densa floresta onde foram encontrados os corpos de Holly Wells e Jessica Chapman, a floresta de Thetford, já é conhecida localmente como “Floresta dos Horrores”, devido à sua obscura história de antigos homicídios de crianças.

Em 1985, uma menina de três anos, Leoni Keating, foi violada e brutalmente assassinada por Gary Hopkins que acabou por abandoná-la em Barton Mills. No mesmo ano, duas meninas de 13 anos foram feridas e levadas para a floresta por Terence Pocock, de 39 anos, que violou as crianças e tentou matá-las. Miraculosamente, e apesar dos graves ferimentos, as jovens sobreviveram à tentativa de homicídio.

Já em 1997, Tom Marshall, de 12 anos, foi raptado e assassinado pelo pedófilo Kevan Roberts que se encontra a cumprir prisão perpétua.

Refira-se ainda que no último fim-de-semana, enquanto estavam a ser encontrados os corpos de Holly e Jessica, pondo um trágico fim a 14 dias de intensas buscas, vários pedófilos atacaram em diferentes zonas do país, segundo adiantaram ontem as autoridades britânicas.
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