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Correio da Manhã

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Iémen escondeu raides dos EUA

O Iémen fez um acordo secreto com os EUA à luz do qual "abria a porta" a bombardeamentos contra alvos da al-Qaeda no país, assumindo a responsabilidade pelos mesmos, revelam telegramas diplomáticos divulgados pela WikiLeaks. Os documentos mostram ainda que o presidente iemenita, Ali Abdullah Saleh, pediu para "as operações continuarem ininterruptamente até esta doença ser erradicada".
5 de Dezembro de 2010 às 00:30
Raides das tropas iemenitas contra a al-Qaeda foram, na verdade, realizados por aviões norte-americanos
Raides das tropas iemenitas contra a al-Qaeda foram, na verdade, realizados por aviões norte-americanos FOTO: Khaled Abdullah/Reuters

Num dos telegramas assinados pelo embaixador Stephen Seche, é referida uma reunião entre o presidente e o general David Petraeus, então chefe do Comando Central dos EUA, na qual Saleh afirmou: "Vamos continuar a dizer que as bombas são nossas."

A 21 de Dezembro, outra mensagem de Seche frisa: "O Iémen insiste que devemos ‘manter o statu quo’ em relação à negação oficial do envolvimento dos EUA."

O que agora fica claro é que os raides contra a al-Qaeda na Península Arábica (AQAP), pelo êxito dos quais Saleh se congratulou publicamente, foram levados a cabo por aviões dos EUA equipados com bombas de precisão e não por tropas iemenitas. Esta estratégia foi adoptada depois de o Iémen ter recusado uma proposta de Petraeus para a entrada no país de tropas dos EUA. O presidente receava que baixas americanas denunciassem a responsabilidade pelas operações, causando revolta entre a população.

Recorde-se que a AQAP é considerada a célula mais activa da rede terrorista. Foi a responsável pelos atentados falhados de Outubro com encomendas armadilhadas e pela tentativa de fazer explodir um avião de passageiros americano sobre Detroit, no Natal de 2009.

As mensagens diplomáticas revelam a insatisfação de Washington ante o fracasso do Iémen em implementar um plano de segurança anti-terrorista nos aeroportos. Bagagens e passageiros passam por máquinas de raios X, mas a falta de treino do pessoal torna a rotina inútil. Os funcionários são "mal pagos, sem treino e receptivos a subornos", refere uma mensagem.

WASHINGTON TEME INSTABILIDADE EM CABO VERDE

Um dos países referidos nos mais de 250 mil telegramas diplomáticos revelados pela WikiLeaks é Cabo Verde. As mensagens de e para a embaixada dos EUA na Cidade da Praia mostram que Washington queria informações sobre a segurança do país, a sua permeabilidade ao terrorismo e ao narcotráfico, nomeadamente a ligação deste a cartéis sul-americanos, e ainda sobre os partidos políticos, líderes e estabilidade governativa. "Os relatórios devem incluir informações sobre pessoas com ligações à região Oeste africana", refere um telegrama.

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