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Correio da Manhã

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IGREJAS CRISTÃS ALVO DE ATENTADOS

Uma jornada de ataques organizados visou ontem, pela primeira vez, igrejas cristãs no Iraque. Carros bomba explodiram junto a pelo menos cinco igrejas, matando mais de uma dezena de pessoas e ferindo muitas outras.
2 de Agosto de 2004 às 00:00
Bombistas suicidas atacaram cinco igrejas em Bagdad e Mossul
Bombistas suicidas atacaram cinco igrejas em Bagdad e Mossul FOTO: Mohammed/Reuters
Fonte do Ministério do Interior afirmou que quatro explosões aconteceram em Bagdad e duas em Mossul, onde dois carros armadilhados foram lançados contra a mesma igreja. O número confirmado de mortos era, ao fim da tarde de 15, mas as autoridades afirmaram temer que houvesse muito mais.
Em 15 meses de luta contra a ocupação americana é a primeira vez que templos cristãos são alvejados, o que, segundo alguns, visa aumentar as tensões entre as comunidades religiosas do país.
Mas, antes dos ataques contra as igrejas, claramente coordenados entre si, uma esquadra de Mossul foi também atacada com um jipe armadilhado, tendo a explosão matado cinco pessoas e ferido 50 outras.
Em Falluja, a sul da capital, uma nova noite de recontros entre tropas americanas e milicianos rebeldes custou a vida a pelo menos 10 civis.
Entretanto, comandos iraquianos libertaram Vlad Damaa, um dos dois reféns libaneses sequestrados na sexta-feira. O destino do outro refém é desconhecido. Igualmente incerto era ontem o destino dos sete funcionários de uma empresa do Koweit, raptados a 21 de Julho e ameaçados de morte se a empresa continuar a trabalhar no Iraque. Algumas fontes davam-nos como libertados, mas até ao final da tarde a empresa do Koweit, que tem em curso negociações com os sequestradores, afirmou não ter alcançado qualquer acordo.
NOVAS AMEAÇAS CONTRA ITÁLIA
Um grupo radical com alegadas ligações à al-Qaeda ameaçou de novo a Itália, desta feita dando um prazo de 15 dias ao primeiro-ministro Silvio Berlusconi para retirar as tropas do Iraque se não quiser sofrer atentados em solo nacional. "Estamos a mobilizar as nossas células em Roma e outras cidades italianas", lê-se num comunicado divulgado ontem pelo jornal árabe de Londres "Quds al-Arabi", no qual as Brigadas Abu Hafs al-Masri indicam ainda que, findos os 15 dias, "não se responsabilizam por qualquer perda de vidas".
O comunicado alude mesmo às ameaças anteriores: "já tínhamos mandado uma mensagem a exigir a retirada do Iraque quanto antes, mas até agora não vimos nada e é por isso que a linguagem do sangue está a caminho". A mensagem, redigida em árabe e com data de 31 de Julho não foi ainda examinada para se determinar a sua autenticidade.
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