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Correio da Manhã

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Imagens impressionantes mostram momento em que tempestade de areia atinge cidades do interior no Brasil

Em poucos minutos as cidades foram atingidas por toneladas de poeira, empurrada por ventos que se aproximaram dos 100 quilómetros.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 27 de Setembro de 2021 às 16:54
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Tempestade de areia em São Paulo, no Brasil FOTO: Direitos Reservados / Twitter Felipe Gomes

Uma violenta tempestade de areia, fenómeno comum nos desertos africanos e asiáticos mas raro na América do Sul, transformou o dia em noite e levou o pânico a milhares de habitantes de cidades no interior dos estados brasileiros de São Paulo e de Minas Gerais. O fenómeno, que teve o seu epicentro em Franca, cidade com 350 mil habitantes a 400 km de São Paulo, e na vizinha Ribeirão Preto, cidade com 720 mil moradores, não deixou vítimas conhecidas mas causou medo numa vasta região, onde nunca tinha sido vista uma coisa assim.

A imensa nuvem de poeira, consequência da maior seca em décadas, e a fuligem resultante da vaga de incêndios florestais que tem assolado a região no interior do estado de São Paulo começou a formar-se pouco antes das 17h00 deste domingo. Tudo ficou escuro e as luzes das cidades de uma vasta região acenderam-se automaticamente. Em poucos minutos, pelo menos outras quatro cidades no interior paulista, além de Franca e de Ribeirão Preto, e cidades do vizinho estado de Minas Gerais foram atingidas por toneladas de poeira a uma velocidade muito grande, empurrada por ventos que se aproximaram dos 100 quilómetros em alguns pontos.

Os comércios e outras atividades que funcionavam naquele final de tarde de sol forte tiveram de fechar as portas quando começaram a ser invadidos por grossas camadas de poeira e fuligem. As pessoas correram para se proteger, mas o som uivante da ventania tornava o momento assustador fosse onde fosse que se estivesse.

Nas estradas entre as cidades e nas ruas e avenidas da área urbana, quem circulava de carro foi forçado a parar e a ligar os quatro piscas, uma vez que, segundo testemunhas, não dava para ver nem a parte da frente do próprio veículo. Dentro de casa, com portas e janelas trancadas e panos tentando vedar frestas a situação nem assim era menos assustadora. Nos edifícios mais altos o vento parecia querer arrombar tudo.

Alguns minutos depois, a nuvem desfez-se e os ventos diminuiram, mas a situação na maior parte das cidades da região não voltou ao normal. Várias cidades ficaram sem energia e sem internet e telefone, que só foram restabelecidos horas depois. Ainda esta segunda-feira moradores tentavam retirar grande quantidade da poeira acumulada à porta das casas e comércios e até dentro.
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