As grades da icónica proa do navio partiram-se e caíram no fundo do mar.
1 / 4
Uma nova expedição aos destroços do Titanic revelou os efeitos da sua lenta deterioração, com uma grande parte da grade agora no fundo do mar e a proa do navio a surgir na escuridão das profundezas do oceano Atlântico. O navio afundou em abril de 1912 após colidir com um iceberg, resultando na morte de 1500 pessoas.
A perda do corrimão, imortalizada por Jack e Rose na famosa cena do filme, foi descoberta durante uma série de mergulhos por robôs subaquáticos este verão.
"A proa do Titanic é simplesmente icónica e é nisso que pensamos quando nos lembramos do naufrágio. Hoje em dia, não tem mais a ver com isso", disse Tomasina Ray, diretora de coleções da RMS Titanic Inc, a empresa que realizou a expedição citada pela BBC
"É apenas mais um lembrete da deterioração que está a acontecer todos os dias. As pessoas perguntam várias vezes: 'Por quanto tempo o Titanic vai ficar lá?' Nós não sabemos, mas estamos a assistir em tempo real".
A equipa acredita que o pedaço de grade, que tem cerca de 4,5 metros de comprimento, caiu em algum momento nos últimos dois anos.
Imagens e uma digitalização
de uma expedição de 2022 realizada pela empresa de mapeamento de águas profundas Magellan e pelos documentalistas Atlantic Productions mostram que a grade ainda estava presa, embora estivesse a começar a entortar.
"Em algum momento o metal cedeu e caiu", disse Tomasina Ray.
Não é a única parte do navio, que fica a 3.800 metros abaixo, que está a ser perdida para o mar. A estrutura metálica está também a ser corroída por micróbios, criando estalactites de ferrugem chamadas rusticles.
De acordo com a BBC, expedições anteriores descobriram que partes do Titanic estão a desabar. Mergulhos liderados pelo explorador Victor Vescovo, em 2019, mostraram que o lado estibordo (lado direito de quem se encontra numa embarcação, voltado para a proa) dos aposentos dos oficiais está a cair, destruindo salas de estado e dissipando características como a casa de banho do capitão.
A expedição do RMS Titanic Inc deste verão ocorreu em julho e agosto.
Dois veículos operados remotamente (ROVs) capturaram mais de dois milhões de imagens e 24 horas de filmagens em alta definição do naufrágio, que se partiu ao afundar, com a proa e a popa a cerca de 800 metros de distância, e do campo de destroços ao redor.
A equipa também anunciou a descoberta de um artefacto que esperavam encontrar, mesmo contra todas as probabilidades.
Em 1986, uma estátua de bronze chamada Diana de Versalhes foi vista e fotografada por Robert Ballard, que havia encontrado os destroços do Titanic.
Mas a sua localização não era conhecida e a figura de 60 centímetros de altura não foi documentada novamente. A peça foi descoberta deitada de bruços no sedimento, no campo de destroços.
"Foi como encontrar uma agulha num palheiro, e redescobri-la neste ano foi importante", disse James Penca, investigador do Titanic e apresentador do podcast Witness Titanic.
"O lounge de primeira classe era o mais lindo e incrivelmente detalhado quarto do navio. E a peça central daquele quarto era a Diana de Versalhes. Mas infelizmente, quando o Titanic se partiu em dois durante o naufrágio, o salão foi rasgado. E no caos e na destruição, Diana foi arrancada do seu manto e caiu na escuridão do campo de destroços", afirmou.
A RMS Titanic Inc. detém os direitos de salvamento do Titanic e é a única empresa legalmente autorizada a remover elementos do local do naufrágio.
Ao longo dos anos, a empresa recuperou milhares de objetos do campo de escombros, alguns dos quais estão expostos ao redor do mundo.
A empresa planeia voltar no próximo ano para recuperar mais elementos e a estátua de Diana é um dos que a equipa gostaria de trazer de volta à superfície.
No entanto, há quem acredite que o naufrágio é um túmulo que deveria ser deixado intocado.
Por outro lado, James Penca defende que "a redescoberta da estátua de Diana é o argumento perfeito contra deixar o Titanic em paz".
"Esta era uma obra de arte que deveria ser vista e apreciada. E agora esta linda obra de arte está no fundo do oceano, na escuridão total, há 112 anos", afirmou.
"Trazer Diana de volta para que as pessoas possam vê-la com seus próprios olhos — o valor disso, despertar o amor pela história, pelo mergulho, pela conservação, pelos naufrágios, pela escultura — eu nunca poderia deixar isso no fundo do oceano", concluiu.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.