Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
9

Infanta Leonor reacende debate sobre monarquia

Pesa pouco mais de três quilos e meio a recém-nascida infanta Leonor, filha do príncipe Felipe e de Letizia Ortiz, mas por sua causa a Espanha debate com calor redobrado o recorrente tema da monarquia e dos direitos de sucessão. A maioria dos espanhóis parece concordar que o privilégio de acesso dos varões ao trono, reconhecido pela Constituição, deve ser abolido, mas alguns analistas temem que o referendo necessário para alterar a Carta Magna divida o país e se transforme num plebiscito à monarquia.
3 de Novembro de 2005 às 00:00
Infanta Leonor reacende debate sobre monarquia
Infanta Leonor reacende debate sobre monarquia FOTO: Susana Vera/Reuters
O tema da discriminação sexual no acesso ao trono parece resolvido à partida a favor de Leonor, mas para a pequena princesa ser um dia rainha é preciso alterar o artigo 57.1 da Constituição. Tudo porque, à luz do artigo 168 da Lei Fundamental, alterações como a do artigo dando preferência aos homens no acesso ao trono têm de respeitar um modelo rígido: o Parlamento tem de aprovar a modificação por dois terços e ser dissolvido, devendo a nova Assembleia ratificar a decisão da anterior antes de a revisão ir a referendo. E é aqui que começam os verdadeiros problemas.
O professor Manuel Jiménez de Parga defendeu ontem, no jornal monárquico ‘ABC’, a necessidade de respeitar o complexo e moroso procedimento de reforma, pois, apesar dos seus perigos, é preferível “aos atalhos” e à “manipulação” da Constituição. Um dos visados pela crítica é o constitucionalista Jorge de Esteban, que defende a reforma directa do artigo 168, de maneira a evitar a necessidade de referendar a revisão constitucional.
“Assume-se o risco de ver o referendo transformado num plebiscito, com uns a favor e outros contra a monarquia”, afirma o professor, atacando desde já os que pensam transformar a consulta popular numa luta fratricida entre monárquicos e republicanos.
O cronista David Gistau, do jornal ‘El Mundo’, surge justamente no polo republicano do debate. Sem nunca advogar a República, Gistau remete a monarquia para o museu da História e critica os que, como Jiménez de Parga, insistem em defendê-la com base no papel pacificador e unificador desempenhado pelo rei Juan Carlos após a morte do ditador Francisco Franco.
Será um exagero dizê-lo assim, mas parece até que a Espanha, unida em torno do rei em 1975, está agora dividida ao meio pela sua neta, essa bebé gordita, de olhos claros e cabelos castanhos.
ANIVERSÁRIO
Um nova neta foi “a melhor prenda de aniversário” para a rainha Sofia, que ontem cumpriu 67 anos. Acompanhada das filhas, Elena e Cristina, e dos genros, Jaime de Marichalar e Iñaki Urdangarin, Sofia almoçou na Clínica Ruber, onde está internada a princesa Letizia Ortiz e a sua bebé, a recém-nascida infanta Leonor. Ao almoço em família faltou o rei Juan Carlos, forçado a acompanhar o debate parlamentar sobre o polémico novo Estatuto da Catalunha.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)