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Infanticídio feminino: uma realidade que afeta milhares de meninas na Índia

Raparigas são consideradas um fardo para os pais. Muitas são enterradas vivas ou alvo de aborto mesmo antes de nascerem.
Correio da Manhã 10 de Outubro de 2019 às 11:45
Menina indiana
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Em julho deste ano, um distrito do norte da Índia abriu uma investigação sobre uma região onde a taxa de nascimentos de meninas sofreu uma quebra acentuada: em apenas três meses não nasceu nenhum bebé do sexo feminino em 132 cidades.

Esta questão levantou várias suspeitas sobre aquele que se considera ser ainda uma prática muito comum em certas regiões mais subdesenvolvidas da Índia: o infanticídio feminino.

Segundo um estudo recente elaborado pela Fundação Thomson Reuters, a Índia lidera o ranking como o país mais perigoso para as mulheres. Ocupa o primeiro lugar em três aspetos: risco de violência sexual e assédio contra as mulheres, perigo em práticas culturais e risco de tráfico de pessoas.

Quando nascem, as mulheres indianas são vistas como um fardo para os pais. A maioria sai de casa assim que se casa para ir morar com o marido - após os pais pagarem um elevado dote matrimonial - e passam a "pertencer" a este e à sua família.

Uma mulher que não case ou que se divorcie do marido é marginalizada pela sociedade e considerada "inútil". Dada esta envolvência social, é comum as meninas serem retiradas às mães à nascença e enterradas vivas ou abandonadas pela família. Noutros casos, nem chegam sequer a nascer, uma vez que as gravidezes são interrompidas quando os familiares ficam a conhecer o sexo.

A ONG Invisible Girl estima que, diariamente, 13,5 mil bebés do sexo feminino são vítimas de abortos ilegais na Índia. Nas áreas urbanas, estas mortes pré-natal são mais comuns, uma vez que a população tem acesso a testes que determinam o o sexo do bebé. Já nas áreas rurais, o feminícidio acontece maioritariamente depois do nascimento.

Desde o ano de 1994 que o país proibiu testes para conhecer o sexo do bebé durante a gestação, já numa tentativa de evitar estes casos. Caso nasçam, as crianças são deixadas à mercê nos primeiros dias de vida, ou acabam por ser negligenciadas pela família ao longo dos anos. Outro dos destinos prováveis é a venda a grupos criminosos cujo destino é a exploração sexual.

De acordo com um estudo divulgado pelo governo da Índia, em 2017, é provável que dentro dos próximos 10 anos a proporção entre homens e mulheres naquele país seja de 898 mulheres para 1000 homens.
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