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Correio da Manhã

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Instagram leva jovem à anorexia

Quando foi internada, Jodie pesava apenas cerca de 31 kg.
21 de Março de 2019 às 19:23
Jodie-Leigh Neil
Anorexia
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Uma adolescente inglesa viveu um período de anorexia extrema e alega que o Instagram foi o principal responsável.

O transtorno alimentar de Jodie-Leigh Neil, de 21 anos, começou em 2013 depois da morte da melhor amiga, que teve sofreu uma paragem cardíaca. Mas o grande desencadear da doença foi o Instagram.

À BBC, a jovem de Yateley, Inglaterra, disse que via várias fotografias de mulheres anoréticas na rede social. Descreve-as como sendo "gráficas e via-se apenas pela e osso". Mesmo magras, as jovens presentes nas fotografias recebiam comentários negativos de pessoas que as achavam demasiado gordas, incentivado-as assim a adotar estilos de vida prejudiciais à saúde.

Influenciada pelas redes sociais, Jodie começou a reduzir a quantidade de comida que ingeria por dia e passou a fazer exercício físico extremo. Durante dois anos a jovem ficou doente e, em 2015, foi internada, quando já só pesava cerca de 31 kg. Quando chegou ao hospital, os médicos disseram-lhe que a escolha era simples: "viver ou morrer". Para sobreviver, teria de começar a comer.

Jodie escolheu a vida. Depois de recuperar, decidiu falar sobre o papel influenciador que as redes sociais tiveram no processo e, atualmente, partilha fotografias que mostram o aspeto saudável depois de uma longa recuperação. 

Um investigação da BBC, que ouviu vários especialistas, concluiu que o Instagram pode prejudicar as pessoas e levá-las a ter transtornos alimentares, ao divulgar conteúdos que promovem a anorexia e a bulimia - na medida em que fotografias de raparigas jovens são publicadas e acompanhadas de conselhos sobre dietas extremas.

Jon Goldin, representante do Royal College of Psychiatrists, diz que muitos pacientes que passam por transtornos alimentares usam o Instagram e outras redes sociais, onde conseguem encontrar pessoas na mesma situação. O especialista referiu que "os jovens com distúrbios alimentares são bastante vulneráveis, muitos vezes socialmente isolados e estão à procura de um grupo de pares". Quando conseguem encontrar esse grupo, podem ser influenciados e adotam estilos de vida menos saudáveis. 

Questionada sobre o tipo de conteúdos que podem ser publicados no Instagram, Tara Hopkins, diretora de políticas públicas da rede social, defende: "não permitimos conteúdo que encoraje ou promova distúrbios alimentares e assim que temos conhecimento de que ele existe, removemo-lo".

Atualmente, Jodie pesa cerca de 60 kg e utiliza a rede social para ajudar outras pessoas que sofrem do mesmo problema que ela.

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