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Investigadores provam que coronavírus se propaga em aerossóis. Distanciamento é menos eficaz do que se pensava

Estudo pretendia esclarecer dúvida existente na comunidade científica. OMS alertou para possibilidade, agora provada.
Pedro Zagacho Gonçalves 13 de Agosto de 2020 às 13:12
Cientistas investigam o coronavírus
Cientistas investigam o coronavírus FOTO: Getty Images

O tema dividia a comunidade científica desde o início da pandemia do novo coronavírus: se, por um lado, estaria provado que a Covid-19 poderia ser transmitida por gotículas de tosse ou espirros, havia quem tivesse muitas dúvidas sobre se o novo coronavírus poderia ser transmitido no ar, pela forma de aerossóis, com capacidade de se manter neste meio aéreo. Uma equipa de investigadores da Universidade da Flórida, nos EUA, afirmam que têm provas "indiscutíveis" e "indubitáveis" de que a Covid-19 tem capacidade de se propagar em meio aéreo e alerta que as atuais regras de distanciamento físico não são tão eficazes quanto se pensava, perante esta descoberta.

A investigação, publicada na plataforma medRxiv, apurou que o novo coronavírus é capaz de ser transmitido em ínfimos aerossóis, em distancias entre 2 e 4,8 metros. Isto significará, segundo os cientistas, que as regras de distanciamento social (segundo a OMS, idealmente deverá manter-se entre um e dois metros de distância) instauradas em todo o mundo, "são insuficientes e estão a dar uma falsa sensação de segurança", uma vez que a observação feita pelos investigadores prova que a Covid-19 se transmite em meio aéreo em distâncias muito superiores a 2 metros. 

"As implicações na Saúde Pública são muitas e alargadas, especialmente uma vez que as atuais melhores práticas de prevenção da transmissão da Covid-19 centram-se precisamente no distanciamento físico, uso de máscaras e viseiras em proximidade com outros e lavagem de mãos", escrevem os investigadores no estudo publicado.

O desacordo entre a comunidade científica estava no facto de se ter detetado RNA viral em aerossóis, mas nunca se ter conseguido isolar o vírus na sua forma de transmissão viável nestas micro gotículas, ou seja, a diferença entre vestígios do material genético do vírus e o novo coronavírus em estado ‘vivo’.

Estes cientistas serão assim os primeiros a conseguir sequenciar genomas da Sars-CoV-2 em amostras de ar, que foram retiradas do quarto de um doente com Covid-19 internado num hospital local. O vírus ‘vivo’ retirado da amostra era idêntico à estirpe do paciente.

Depois de vários meses a sustentar que o novo coronavírus era transmitido sobretudo por contactos próximos, e que a transmissão por via de aerossóis e em meio aéreo era pouco provável fora do meio hospitalar, a Organização Mundial de Saúde mudou a sua posição no passado dia 9 de julho. 

"A transmissão por aerossóis e baixa distância, particularmente em espaços fechados, com muita gente e sem ventilação adequada, durante um longo período de tempo com pessoas infetadas, não pode ser descartada", admitiu a OMS.

O estudo está a cair como uma ‘bomba’ na comunidade científica. A Dr. Linsey Marr, engenheira, professora universitária e investigadora da Universidade Virgina Tech diz que o este estudo é "uma prova irrefutável", apesar de não ter participado de forma alguma na investigação.

"Confirma, sem sobre de dúvida, na minha opinião, que o coronavírus em aerossóis (pequenos o suficiente para viajarem vários metros) é capaz de provocar infeção. Suspeitávamos, agora está confirmado", defende a cientista.

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