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Correio da Manhã

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Iraniana confessa assassínio na TV

Sakineh Mohammadi Ashtiani, uma iraniana de 43 anos, foi condenada a morrer lapidada por ter cometido adultério. O seu caso foi denunciado internacionalmente e, submetido a pressões, Teerão anunciou que o processo seria revisto.
13 de Agosto de 2010 às 00:30
Mohammad Mostafaei, advogado que está refugiado na Noruega, assegura que Sakineh Ashtiani fez declarações sob pressão
Mohammad Mostafaei, advogado que está refugiado na Noruega, assegura que Sakineh Ashtiani fez declarações sob pressão FOTO: Hakon Mosvold Larsen/EPA

Agora, naquilo que parece ser uma estratégia das autoridades para justificar a dura sentença, a viúva apareceu num programa da TV estatal a admitir cumplicidade no assassínio do marido e a acusar o seu advogado de mentir.

No programa, emitido na passada quarta-feira, Ashtiani, mãe de dois filhos, afirmou, em jeito de comunicado, ter tido um relacionamento com um primo do marido e de ser cúmplice no seu assassinato. Contou que um dia o primo lhe dissera que queria matar o marido, mas que ela não acreditara, pensado que ele estava a brincar. "Depois descobri que ele era um assassino. Ele veio à nossa casa e trouxe todo o material: aparelhos eléctricos, fios e luvas. Depois matou o meu marido electrocutando-o. Antes tinha-me pedido que mandasse os meus filhos para a casa da avó." As autoridades judiciárias acrescentam a esta confissão que Ashtiani injectara um anestésico no marido.

Além de admitir culpa na morte do marido, Ashtiani acusou o seu advogado, Mohammad Mostafaei, que jura não conhecer, de mentir. "Como se atreve a mentir em meu nome e a difundir o caso internacionalmente, envergonhando a minha família?" questiona. Mostafaei, que teve de fugir para a Noruega, afirma que a condenada fez as declarações sob pressão. Um outro advogado garante que ela foi torturada durante dois dias.

Ashtiani foi julgada pela primeira vez por adultério em 2006, tendo sido condenada a 99 chibatadas, punição já cumprida. Em Setembro, porém, o seu caso foi reaberto quando um outro tribunal julgava um homem envolvido na morte do marido. Desta feita, foi condenada à morte por lapidação. n *Com agências

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