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Correio da Manhã

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Irão indiferente à pressão europeia

Só os países que gostam de resolver tudo com o uso da força precisam de armas nucleares”. Esta foi a resposta do presidente do Irão, Mahmoud Ahmadinejad, à ameaça europeia de levar o caso do programa nuclear iraniano ao Conselho de Segurança.
15 de Janeiro de 2006 às 00:00
O presidente do Irão diz que não pretende construir bombas atómicas
O presidente do Irão diz que não pretende construir bombas atómicas FOTO: Morteza Nikoubazl, Reuters
No seu habitual estilo provocador, Ahmadinejad reiterou o direito do seu país ao desenvolvimento de energias alternativas e considerou que cabe à troika europeia que tem negociado com Teerão (França, Alemanha e Reino Unido) tomar medidas para “reforçar a confiança”.
“O Irão não tem medo das ameaças de nenhum país e vai continuar a desenvolver energia nuclear”, afirmou Ahmadinejad, frisando que “o eventual envolvimento do Conselho de Segurança não ajudará em nada”.
“Não queremos seguir nesta direcção [de confronto], mas se alguém insistir em privar o povo iraniano dos seus direitos é bom que saiba que não o permitiremos”, conclui o presidente.
Recorde-se que os negociadores europeus consideraram esta semana que o diálogo não tem saída e é necessário pressionar Teerão com sanções. A crise intensificou-se depois de as autoridades iranianas terem ordenado a violação dos selos impostos há dois anos em três das suas instalações nucleares.
A pressão europeia conta com o apoio incondicional dos EUA, que desde há muito consideram um risco para a segurança regional e mundial a transformação do Irão em potência nuclear. Aliás, a desconfiança face aos propósitos do programa nuclear iraniano prende-se com o facto de ter sido mantido em segredo durante cerca de 18 anos, até à sua descoberta em 2002.
A via de pressão diplomática conta, no entanto, com dois opositores de peso: Rússia e China, ambos com direito de veto no Conselho e Segurança. Moscovo não pôs inteiramente de parte o apoio a eventuais sanções, mas considera que o diálogo não está esgotado. Pequim, que recebe cerca de 12% do seu petróleo do Irão, classificou o recurso ao Conselho de Segurança uma medida perigosa “que pode complicar a situação”.
Colocando água na fervura das especulações que apontam a Washington a intenção de forçar a eclosão de um novo conflito armado, o presidente George W. Bush afirmou na sexta-feira, após um encontro com a chanceler alemã, Angela Merkel, que a crise tem de ser resolvida por meios pacíficos.
FRASES DA POLÉMICA
"Temos as armas necessárias para nos defendermos. Os que usam uma linguagem dura contra o Irão precisam de nós dez vezes mais do que nós deles", Mahmoud Ahmadinejad
"Há muitas actividades suspensas em obediência ao Tratado de Não Proliferação que serão reactivadas caso se tente resolver o diferendo fora da Agência da Energia Atómica", Ministério dos Negócios Estrangeiros
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