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Correio da Manhã

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IRAQUE EXIGE LEVANTAMENTO DAS SANÇÕES

A administração iraquiana exigiu ao Conselho de Segurança o levantamento do regime de sanções imposto ao país há 12 anos, argumentando ter cumprido a ordem de desarmamento e acusando os Estados Unidos da América e o Reino Unido de terem outros motivos para fazer a guerra.
8 de Março de 2003 às 17:17
Saddam Hussein
Saddam Hussein
A iniciativa iraquiana surge no rescaldo do relatório ontem apresentado ao Conselho de Segurança da ONU pelos responsáveis pela comissão que supervisiona o desarmamento iraquiano, Hans Blix e Mohamed El-Baradei. O testemunho dos dois peritos pode ter leituras opostas, uma vez que saudou a destruição de mísseis iraquianos al-Samoud 2 como “uma substancial medida de desarmamento”, mas voltou a acusar Bagdad de falta de cooperação no fornecimento de documentação relativa aos seus programas de armas de destruição massiva.

O presidente norte-americano, George W. Bush, salientou a falta de cooperação como medida do não cumprimento por parte de Bagdad das exigências feitas pelo Conselho de Segurança da ONU e declarou, na sua mensagem radiofónica semanal, ontem (sexta-feira), que a América deve estar preparada para usar força militar.

A liderança iraquiana reuniu esta manhã, sob os auspícios do presidente Saddam Hussein, e concluiu que a “substancial medida de desarmamento” saudada por Blix e por El-Baradei na ONU prova que o Iraque está a cumprir a vontade da comunidade internacional. Nesse sentido, a administração iraquiana emitiu um comunicado exigindo o levantamento de todas as sanções impostas pela ONU ao país desde há 12 anos. O documento exige ainda ao Conselho de Segurança que denuncie os EUA e o Reino Unido como “mentirosos” e que elimine as armas de destruição massiva de Israel e force aquele país a desocupar território árabe e da Palestina (recorde-se que há resoluções da ONU a exigir a retirada israelita do território palestiniano, mas sem efeito prático).

Esta manhã, os iraquianos retomaram o processo de destruição do seu arsenal de mísseis al-Samoud 2, cujo alcance é superior ao limite de 150 quilómetros imposto ao país pela ONU, nos termos do cessar-fogo acordado após a Guerra do Golfo. O processo foi suspenso ontem, por ser dia feriado muçulmano, mas hoje foram destruídos seis mísseis e três ogivas, sob o olhar atento dos inspectores da ONU. Desde o passado dia 1 o Iraque destruiu 40 mísseis al-Samoud 2, cerca de um terço do total que possui.

Washington alega que o Iraque está a fabricar mísseis ao mesmo tempo que os elimina e, juntamente com Londres, tem em debate no Conselho de Segurança uma proposta de resolução que inclui um ultimato ao Iraque, para que desarme até ao próximo dia 17 ou seja militarmente invadido. A guerra já tem data marcada, mas a balança de votos no Conselho de Segurança parece que ainda não está inclinada para a invasão.
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