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Correio da Manhã

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Iribarne à beira da maioria

Manuel Fraga Iribarne ficou ontem à distância de apenas um deputado do quinto mandato consecutivo à frente do governo da Galiza. Com 99% dos votos escrutinados, o Partido Popular (PP) obteve 37 deputados, apenas um abaixo da maioria absoluta, os socialistas do PSOE 25, e os nacionalistas do BNG 13.
20 de Junho de 2005 às 00:00
A maior parte dos galegos continua ao lado do velho ‘Imperador’
A maior parte dos galegos continua ao lado do velho ‘Imperador’ FOTO: Miguel Vidal/Reuters
Os resultados abrem o caminho a um governo de coligação PSOE-BNG, embora os votos dos mais de 300 mil galegos emigrados, que serão escrutinados na próxima semana, possam alterar o quadro, ao dar a Fraga o deputado que lhe falta. Até hoje, só em 1997 um deputado mudou de mãos graças ao voto emigrante.
Os resultados revelam uma descida do PP bem menor do que as sondagens indicavam. De facto, Fraga perde quatro deputados, e não seis a oito, como se previa. A subida do Partido Socialista Operário Espanhol, que tinha apenas 17 deputados no Parlamento regional, permite aos socialistas sonharem com a governação, em coligação com o Bloco Nacionalista Galego, até ao momento em que os votos decisivos sejam contabilizados.
Caso os emigrados decidam pelo PP, Fraga não termina ainda um percurso político iniciado em 1962, ano em que se tornou ministro da Informação e Turismo do ditador Francisco Franco. O ‘Imperador’, como alguns lhe chamam, domina a Galiza há 16 anos com um poder incontestado.
Na primeira reacção aos resultados, Fraga afirmou que “é razoável e viável” esperar uma nova maioria.
De facto, apesar da sua idade, 82 anos, e do desgaste de tantos anos de poder, conseguiu opor-se ao chamado “efeito Zapatero”, ou seja, à onda socialista gerada pela vitória nas legislativas de 2004. O PSOE conquistou desde então o poder no País Basco, somando este territónio histórico à Catalunha. E esperava agora somar a isto a Galiza, terceira e última comunidade histórica espanhola.
Para o primeiro-ministro José Rodríguez Zapatero isso representaria mais um impulso para o seu projecto de consolidação da Espanha das nacionalidades, que muita tinta tem feito correr, e que os críticos consideram um plano federalista e ameaçador da integridade territorial do país.
Estas foram as eleições mais renhidas dos últimos 16 anos na Galiza, excedendo mesmo todas as expectativas dos analistas e dando razão aos que consideravam que na Galiza as sondagens não contam.
A mobilização para o escrutínio foi elevada, pois respiravam-se ares de uma mudança incentivada por Zapatero. A afluência às urnas situou-se nos 68,1%, mais 4,1% face a 2001.
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