Irlanda assume em 01 de julho a presidência rotativa do Conselho da União Europeia sucedendo o Chipre.
A Irlanda quer estabilizar as relações entre a União Europeia (UE) e os Estados Unidos durante a sua presidência semestral do Conselho da UE e tenciona tentar ultimar o 21.º pacote de sanções à Rússia no início de julho.
A Irlanda assume em 01 de julho a presidência rotativa do Conselho da UE - a instituição europeia que representa os governos dos 27 Estados-membros do bloco -, sucedendo a Chipre.
Em conferência de imprensa em Bruxelas, a representante permanente da Irlanda junto da UE, Aingeal O'Donoghue, salientou que o seu país tem "muitas ligações nos Estados Unidos" e "contactos muito bem posicionados em todo o espetro político" e empresarial que podem ser usados para tentar melhorar a relação transatlântica.
"Existe muito boa vontade em relação à Irlanda nos Estados Unidos. Por isso, penso que talvez possamos maximizar os nossos canais de comunicação com os Estados Unidos", referiu.
Desde logo, a Irlanda quer garantir que a UE e os Estados Unidos regressam aos termos do acordo comercial assinado em agosto, na Escócia, para voltar a trazer uma "estabilidade relativa" à relação.
"O acordo foi posto em causa pelas decisões do Supremo Tribunal americano e, depois, por várias medidas 'ad hoc' adotadas pelos Estados Unidos", referiu a embaixadora, recordando ainda que a UE também passou por um "processo longo, mas já concluído" para ratificá-lo.
"Por isso, penso que o primeiro passo é voltar a uma situação mais estável. Essa é a primeira prioridade", disse, apesar de reconhecer que o país quer ver "mais progressos" nas relações comerciais.
"Queremos desenvolver esse trabalho de forma positiva, encontrando soluções para questões relacionadas com a indústria farmacêutica ou, no caso de outros Estados-membros, nos setores das bebidas espirituosas e dos vinhos. Há toda uma série de setores em que queremos passar de uma abordagem de confronto para uma assente em benefícios mútuos", referiu.
Apesar de reconhecer que as negociações comerciais são uma prerrogativa da Comissão Europeia, a diplomata frisou que as "conversas informais, partilha de perceções e de entendimento" que a Irlanda pode facultar talvez ajudem a facilitar as negociações.
Além da vertente comercial, a Irlanda quer também tentar mitigar as preocupações dos Estados Unidos no que se refere à política digital da UE, uma questão que a embaixadora irlandesa reconhece poder ser "muito mais difícil".
Em termos de relações externas, a Irlanda assume como prioridade manter a postura que tem sido adotada pela UE no que se refere à guerra na Ucrânia: continuar a apoiar Kiev a nível financeiro e militar, enquanto se aumenta a pressão sobre a Rússia.
Nesse sentido, a Irlanda quer ultimar o 21.º pacote de sanções à Rússia, que foi apresentado pela Comissão Europeia no início do mês de junho, na primeira metade de julho -- caso consiga, será uma das primeiras medidas adotadas pela presidência irlandesa.
No que se refere à adesão da Ucrânia à UE, a Irlanda quer aproveitar o ímpeto gerado com a abertura do primeiro capítulo de adesão ao bloco, em 15 de junho, e tentar avançar "o mais rapidamente possível" para a abertura dos restantes cinco capítulos, prevendo organizar uma nova reunião interministerial sobre esse assunto já em julho.
No que se refere ao próximo orçamento comunitário da UE, para o período entre 2028 e 2034, a Irlanda partilha a ambição do presidente do Conselho Europeu, António Costa, de fechar as negociações até ao final deste ano.
Aingeal O'Donoghue reconheceu que, atualmente, os Estados-membros têm visões diferentes sobre a natureza do documento, com alguns a defenderem a política de coesão, outros a Política Agrícola Comum (PAC) e outros ainda a necessidade de se encontrarem novas fontes de receita.
"Todos sabemos que o resultado final implicará um compromisso e um equilíbrio e aquilo que temos de fazer enquanto presidência é encontrar esse equilíbrio adequado", disse.
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