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Correio da Manhã

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ISRAEL ACEITA ESTADO PALESTINIANO

O Conselho de Ministros de Israel aprovou o mais recente plano de paz israelo-palestiniano, proposto pelos EUA, UE, Rússia e ONU, o primeiro que prevê expressamente a criação de um Estado palestiniano, em 2005.
25 de Maio de 2003 às 14:11
Ariel Sharon aceita dividir a terra com os palestinianos
Ariel Sharon aceita dividir a terra com os palestinianos
O plano hoje aprovado exige às autoridades palestinianas que combatam as actividades terroristas contra Israel, o que não é novo, mas prevê também o congelamento dos colonatos israelitas nos territórios autónomos e a criação de um Estado palestiniano em 2005. Estes dois objectivos, sobretudo o último, são difíceis de aceitar pelo primeiro-ministro israelita, Ariel Sharon, e pelos partidos mais conservadores na sua aliança governativa. Mas Washington exerceu forte pressão sobre a liderança israelita, procurando dividendos de paz após a guerra no Iraque (sem esquecer que há presidenciais nos EUA em 2004), e garantiu que as reservas agora colocadas pelos israelitas serão tomadas em conta à medida que o plano for implementado.
Relutantemente, Sharon anunciou na sexta-feira que aceitava o plano e que o iria colocar à apreciação do Conselho de Ministros, que reuniu esta manhã. Na edição de hoje do diário de grande circulação “Yedioth Ahronoth”, o primeiro-ministro escreveu uma frase que, a confirmar-se, ficará para a História: “Chegou o momento de dividir este pedaço de terra entre nós e os palestinianos”.
Sharon jogou as peças todas para encaminhar o Conselho de Ministros no sentido pretendido e demonstrou uma enorme capacidade de liderança. É preciso não esquecer que o seu governo de coligação integra quatro ministros de dois partidos de extrema-direita (Partido Religioso Nacional e União Nacional) que se opõem à paz com os palestinianos. O desfecho da votação não estava garantido, mas o resultado saiu em defesa da paz, com os ministros de Israel a aprovar o plano de paz, com 12 votos favoráveis, 7 contra e 4 abstenções.
Estão agora criadas as condições para a realização de uma cimeira israelo-palestiniana ao mais alto nível, mediada pelo presidente norte-americano, George W. Bush. É claro que Sharon tem a garantia de que as reservas ao plano serão tomadas em conta e poderá estar a apostar na táctica do eventual fracasso da liderança palestiniana em controlar as actividades terroristas nos territórios autónomos, o que lhe daria o pretexto para abandonar o projecto, mas George W. Bush poderá estar a apostar numa paz conseguida no Médio Oriente como bandeira para a campanha da sua reeleição em 2004. Com a liderança palestiniana reformulada e com nova face, a do primeiro-ministro Mahmoud Abbas, com os ministros de Israel a aceitar a criação de um Estado Palestiniano dentro de dois anos e com o provável interesse de Bush em retirar créditos eleitorais de um êxito diplomático, a todos os níveis históricos, israelitas e palestinianos têm agora uma oportunidade dourada para alcançar a paz que maior impacte político poderá trazer ao Mundo.
DETALHES DO PLANO
Os palestinianos devem garantir uma imediata cessação da violência.
Os palestinianos devem reformar as suas instituições.
A liderança israelita deve emitir um “comunicado inequívoco” afirmando o seu empenho na visão de “um Estado palestiniano independente, viável e soberano” convivendo em paz e segurança com Israel.
A Autoridade Palestiniana deve iniciar “operações sustentáveis e eficazes contra todos os que estiverem envolvidos no terror e desmantelar a capacidades e a infra-estrutura terrorista”. Este processo inclui a confiscação de armas ilegais.
Israel deve desmantelar imediatamente todos os colonatos erguidos desde Março de 2001 e congelar a expansão de todos os colonatos na Cisjordânia e Faixa de Gaza.
À “medida que a segurança evoluiu”, o Exército israelita retira-se progressivamente das áreas autónomas ocupadas desde 28 de Setembro de 2000, data de início da revolta palestiniana.
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