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Correio da Manhã

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ISRAEL ATACA JIHAD EM GAZA

Forças militares israelitas atacaram este sábado alvos do movimento radical Jihad Islâmica no território autónomo palestiniano da Faixa de Gaza, numa aparente reacção à morte de 13 soldados nos piores cinco dias em dois anos de conflitos naquela área.
15 de Maio de 2004 às 13:24
Mohammed al-Hindi, médico com 37 anos de idade, é o comandante operacional da Jihad Islâmica e vive na clandestinidade há meses, tendo um gabinete de trabalho num seminário que foi hoje alvo de bombardeamento aéreo. No ataque foi também atingido um edifício adjacente, onde funciona uma organização de caridade ligada à Jihad.
Fontes palestinianas garantiram que Hindi escapou ao ataque e juraram vingar o que consideram ter sido uma tentativa de assassinato com uma resposta ‘sísmica’ contra os militares de Israel. Uma fonte militar israelita garantiu que a acção não teve por objectivo matar o comandante da Jihad, mas eliminar postos de tiro palestinianos.
Israel perdeu 13 soldados na Faixa de Gaza desde a passada terça-feira. Nesse dia e na quarta-feira, combatentes palestinianos emboscaram e destruíram dois veículos blindados israelitas, matando todos os seus ocupantes, num total de 11 soldados. Na sexta-feira, ontem, atiradores furtivos palestinianos mataram mais dois soldados, durante operações de demolição de casas levadas a cabo pelo Exército israelita no campo de refugiados de Rafah, em Gaza, local onde foi emboscado pelo menos um dos dois APC israelitas destruídos.
A ONU fez hoje saber que a resposta israelita em Rafah já provocou mais de um milhar de desalojados. Fontes médicas palestinianas indicaram que os combates dos últimos dias provocaram a morte a 28 palestinianos, muitos deles civis inocentes. As forças militares israelitas abandonaram hoje o campo de Rafah.
PROPOSTA DE TRÉGUAS
A tensão israelo-palestiniana tem vindo a aumentar desde que o primeiro-ministro israelita, Ariel Sharon, abdicou do processo bilateral de negociações e desencadeou uma iniciativa unilateral de afastamento, que estipula o desmantelamento dos colonatos na Faixa de Gaza, a manutenção de alguns colonatos na Cisjordânia e a construção (já em curso) de uma barreira fortificada na fronteira.
Os palestinianos contestam este plano, indicando que a sua aplicação irá cimentar a ocupação israelita na Cisjordânia, mas a proposta tem o apoio expresso do presidente norte-americano, George W. Bush. Os palestinianos contestam ainda o facto de o plano de Sharon não prever o regresso dos refugiados palestinianos.
O primeiro-ministro palestiniano, Ahmed Qurie, vai reunir-se hoje com o secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, e, segundo a agência noticiosa jordana Petra, irá propor ao chefe da diplomacia dos EUA uma cessar-fogo com Israel.
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