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Correio da Manhã

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ISRAEL ELIMINA COMANDANTE DO HAMAS

O Estado de Israel provocou esta manhã a baixa de maior vulto nas fileiras palestinianas em dois anos de aceso conflito bilateral, ao eliminar o comandante máximo da estrutura militar e fundador do Hamas. “Eles passaram das marcas”, disseram fontes da organização, que juraram vingar esta morte com o sangue de políticos israelitas.
8 de Março de 2003 às 13:25
ISRAEL ELIMINA COMANDANTE DO HAMAS
ISRAEL ELIMINA COMANDANTE DO HAMAS
A operação militar israelita insere-se na muito contestada política governamental de eliminação selectiva como forma de prevenção de ataques terroristas. Israel assassina deliberadamente activistas palestinianos, alimentando desta forma o círculo de sangue e vingança. Em 1996, o ‘engenheiro’ do Hamas, Yahya Ayyash, especialista no fabrico de engenhos explosivos, foi morto com um telefone armadilhado. Em 2002, Salah Shehada, elemento da estrutura directiva do Hamas, foi eliminado num ataque aéreo cirúrgico. Estas duas mortes reacenderam o conflito com acções de vingança. Não foram as únicas eliminações selectivas, mas sim as mais importantes. Israel elevou hoje a fasquia do conflito, ao eliminar o homem a quem reportavam os dois indivíduos referidos nos exemplos anteriores.

A acção foi típica. A informação terá chegado ao centro de comando israelita, identificando a viatura e o percurso que iria fazer um dos alvos seleccionados por Israel. Quatro helicópteros militares Apache, de fabrico norte-americano, foram enviados para atacar o carro, que ficou totalmente pulverizado, numa estrada do território autónomo palestiniano da Faixa de Gaza. Os quatro ocupantes da viatura tiveram morte imediata; um deles era Ibrahim al-Maqadma, 51 anos de idade, fundador do Hamas e mentor e comandante máximo da estrutura militar daquela organização, as Brigadas Izz-el-Deen al-Qassam, responsáveis por inúmeros ataques suicidas contra alvos israelitas.

A notícia da morte de al-Maqadma correu célere na Faixa de Gaza. A vítima era um símbolo da resistência palestiniana à ocupação israelita e comandava uma das ‘armas’ mais activas nessa guerra. Centenas de pessoas concentraram-se rapidamente na morgue para onde foram levados os corpos e aí ouviram-se os gritos de vingança, por parte de activistas do Hamas. Duas ideias principais sobressaem da vingança anunciada: Israel “abriu uma nova batalha”, como disse um palestiniano, e os políticos israelitas passam a estar na mira do Hamas.

Horas antes desta acção israelita, elementos do Hamas atacaram pela calada da noite dois colonatos israelitas no território autónomo da Cisjordânia. Dois indivíduos disfarçados de judeus entraram no colonato de Kiryat Arba e mataram a tiro um homem e uma mulher, casados, antes de serem abatidos por soldados do contingente de defesa daquela comunidade. Dois outros palestinianos tentaram infiltrar-se no vizinho colonato de Negohot, mas foram detectados e eliminados por soldados, numa intensa troca de tiros.

O circuito de violência perpetua-se e os avanços políticos perdem o brilho da esperança, ofuscados pela raiva do sangue. O presidente da Autoridade Nacional Palestiniana, Yasser Arafat, anunciou hoje o nome do futuro primeiro-ministro da sua administração, Mahmoud Abbas, um homem que sempre manteve diálogo com Israel. A criação do cargo de primeiro-ministro na Autoridade Nacional Palestiniana é uma exigência de Israel e da comunidade internacional, para colocar na arena política um interlocutor alternativo a Arafat, demasiado conotado com a resistência terrorista, e um governante de calibre ocidental, capaz de garantir transparência administrativa. O passo político está dado em frente, mas a eliminação de al-Maqadma vai ser vingada pelo Hamas e debaixo deste fogo não há política ou estratégia que resistam.
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