Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
7

Israel em vias de extinção

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, voltou ontem à retórica inflamada contra Israel declarando que a existência do “regime sionista” é uma ameaça para o mundo islâmico mas está em “vias de de extinção ”. Apesar da dureza do seu discurso, proferido durante uma conferência sobre o conflito na Palestina, o líder iraniano foi mesmo assim um pouco mais comedido que no ano passado, quando foi citado pela agência noticiosa oficial IRNA como tendo afirmado que “Israel devia ser riscado do mapa”.
15 de Abril de 2006 às 00:00
Mais um discurso polémico do líder iraniano
Mais um discurso polémico do líder iraniano FOTO: Morteza Nikoubazl, Reuters
“A existência do regime sionista é equivalente à imposição de uma eterna e incontrolada ameaça à segurança das nações e países islâmicos da região” -- afirmou o líder iraniano que, voltou de novo a duvidar da existência do Holocausto: ”Se tal tragédia aconteceu, porque razão deve o povo desta região pagar um preço? Porque razão a nação palestiniana tem que ser destruída e a sua terra ocupada?”
“Acreditem que a Palestina vai ser em breve libertada. (...) porque o regime sionista que é uma árvore seca e desgastada, será eliminado por uma só tempestade”-- afirmou ainda Ahmadinejad, perante uma audiência de 900 pessoas.
A ‘AMEAÇA’ DE WASHINGTON
A nova provocação de Ahmadinaejad foi proferida numa altura muito delicada das relações entre o Ocidente e o Irão, que no início da semana fez questão de anunciar que tinha começado a enriquecer urânio nas suas centrais nucleares. As ‘campainhas de alarme’ soam em várias capitais ocidentais mas as sucessivas movimetações diplomáticas, incluindo as negociações a cargo da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), não deram até agora quaisquer frutos.
Em Washington, o presidente norte-americano, George W. Bush, está “céptico” sobre as possibilidades de uma solução pacífica para o conflito. Quem o afirma é o porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, depois de a secretária de Estado, Condoleezza Rice, ter instado a ONU a adoptar uma resolução que inclua o ‘Capítulo VII’ da Carta Magna das Nações Unidas, que prevê sanções ou uma intervenção militar.
Quando questionado sobre se Bush tem esperança de que venha a ser encontrada uma solução pacífica para a crise nuclear, McClellan respondeu: “Você pode entender porque estamos cépticos, dado o historial de um regime que sempre escondeu as suas actividades nucleares da comunidade internacional e não cumpriu as suas obrigações”. O porta-voz da Casa Branca acrescentou que Bush está “céptico” sobre as possibilidades de “cooperação e negociação” com o Irão. “Se continuarem por este caminho, acreditamos que está na hora de o Conselho de Segurança tomar medidas sobre esta ameaça”, afirmou.
Recorde-se que o director da AIEA, Mohamed El Baradei, esteve quinta-feira em Teerão, onde se reuniu com o secretário-general do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniana, Ali Lariyani, a quem solicitou a suspensão do programa iraniano de enriquecimento de urânio. A resposta de Lariyani foi elucidativa, qualificando de “irracional” e “inaceitável” o pedido de El Baradei.
AHMADINEJAD 'DIXIT'
"O regime sionista é uma árvore podre e seca que será eliminada por uma tempestade." (Ontem)
"O verdadeiro Holocausto está a acontecer na Palestina e no Iraque." (Fevereiro de 2006)
"Alguns países europeus insistem em afirmar que Hitler matou milhões de judeus inocentes nos fornos. Inventaram um mito." (Dezembro de 2005)
"Israel deve ser riscado do mapa." (Outubro de 2005)
UE DEFENDE APENAS SANÇÕES
Num documento confidencial distribuído aos ministros dos Negócios Estrangeiros dos ‘25’, na passada segunda-feira no Luxemburgo, Javier Solana, o chefe da diplomacia europeia, equaciona as sanções possíveis contra o regime de Ahmadinejad, em caso de fracasso das negociações em curso com o regime de Teerão.
Os EUA, a Rússia e a China reafirmam a sua preferência por uma solução “diplomática” e “negociada” da crise iraniana, enquanto a União Europeia (UE) elaborou uma lista de uma série de “medidas restritivas” destinadas a convencer o Irão a abandonar o enriquecimento de urânio.
O documento europeu não contempla a opção militar mas não exclui a aplicação de severas sanções económicas mas muitos diplomatas duvidam que elas possam ser aplicadas na íntegra devido à dependência europeia do gás e petróleo.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)