Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
8

Israel finaliza planos para construir polémico teleférico em Jerusalém

Teleférico terá quatro estações, e transportará três mil pessoas.
Lusa 4 de Novembro de 2019 às 21:43
Muro das Lamentações, Israel
Muro das Lamentações, Israel FOTO: D.R.
Israel aprovou esta segunda-feira o último trâmite para a construção de um controverso teleférico que ligará Jerusalém Ocidental ao Muro das Lamentações, mas a decisão será ainda objeto de recurso judicial pela organização não-governamental arqueológica israelita Emek Shaveh.

O Comité Ministerial do Planeamento, Construção e Habitação do Governo deu luz verde esta manhã ao projeto.

"Agora é só uma questão de especificar quando" vai começar a ser construído, disse à agência de notícias Efe um porta-voz do ministro das Finanças, Moshe Kahlon.

"Trata-se de um projeto nacional que vai além do transporte ou de infraestruturas turísticas", declarou o mesmo em comunicado.

Para as autoridades, o teleférico é um elemento estratégico que vai ajudar a aumentar o turismo, a descongestionar o trânsito, e reduzir o número de autocarros e carros que circulam na área, mas o principal objetivo é facilitar o acesso ao Muro das Lamentações, o local de culto mais sagrado para o judaísmo.

A iniciativa, controversa por ligar a parte ocidental da Cidade Santa a Jerusalém Oriental, ocupada por Israel desde 1967 e que os palestinianos reclamam como capital de um futuro Estado seu, foi condenada por estes desde o anúncio do projeto, em 2017, que o consideram mais um passo em direção à "judaização" da sua zona oriental.

O projeto foi ainda alvo de críticas de académicos, arquitetos, arqueólogos ou grupos de defesa do património histórico, como a associação Emek Shaveh, que anunciou que nos próximos dias vai recorrer da decisão junto do Supremo Tribunal.

Para o diretor da instituição, Yonatan Mizrahi, o Governo de Israel não pode decidir a construção de uma infraestrutura que vai mudar radicalmente o aspeto, "caráter histórico e a maneira como as pessoas e visitantes percebem" a Cidade Santa.

"Acreditamos que esta é uma decisão ilegal", acrescentou Mizrahi, que vê o projeto como "uma ferramenta para fortalecer a narrativa judaica e beneficiar os colonos" israelitas que vivem na Cidade Velha e arredores, um dos epicentros do conflito palestiniano-israelita.

A construção dessa infraestrutura num local que contém uma grande quantidade de relíquias com valor histórico também preocupa Mizrahi, que afirmou que os locais arqueológicos da região podem ser danificados.

De acordo com os planos israelitas, o teleférico terá quatro estações, e transportará três mil pessoas, prevendo-se que estará operacional a partir de 2021.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)