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Correio da Manhã

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Já falta o vinho nas missas venezuelanas

Há paróquias em risco de não celebrar eucaristia.
28 de Maio de 2013 às 18:52

A gravíssima crise de abastecimento que afeta a Venezuela e que fez desaparecer das prateleiras desde alimentos até papel higiénico, está a ameaçar agora também uma outra área igualmente sensível aos venezuelanos, maioritariamente católicos: A religião. Num comunicado emitido segunda-feira, a Conferência Episcopal da Venezuela, CEV, revelou o problema, que faz com que em algumas paróquias as missas já estejam ameaçadas por falta do vinho especial usado nas celebrações.

Monsenhor Roberto Lucker, chefe da Comissão de Comissão Social da CEV, informou também segunda-feira que, mesmo racionando o produto, a Igreja Católica só tem vinho para as eucaristias dos próximos dois meses, necessitando urgentemente de uma solução. Acontece que o único fabricante autorizado pela Igreja da Venezuela a fornecer vinho enfrenta grandes dificuldades para conseguir os produtos imprescindíveis ao seu fabrico, já que tem que ser natural e puro, feito exclusivamente com uva e sem a adição de açúcar ou frutas, por exemplo.

A Igreja já pensou importar vinho, ou os produtos necessários para o seu fabrico na Venezuela, mas essa medida de exceção esbarra na falta de divisas. Os membros da Conferência Episcopal já estudam medidas de emergência, tendo até solicitado ao governo dólares para importar o produto ou uma autorização provisória para os padres venezuelanos usarem nas missas vinhos do Chile e da Argentina, até que a situação se normalize.

A questão do vinho para as missas surge uma semana depois de o governo do presidente Nicolás Maduro ter passado pelo constrangimento de ter que importar 50 milhões de rolos de papel higiénico, outro produto que há muito desapareceu das prateleiras dos supermercados. Acontece que para o governo, está tudo a correr às mil maravilhas e, como disse o ministro do Comércio, Alejandro Fleming, a escassez de produtos nos supermercados é fruto de uma campanha da imprensa para destabilizar o governo, assustando a população e fazendo-a comprar mais do que necessita.

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