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"Jamais ameacem a nação iraniana": Presidente do Irão responde a Trump

Esta segunda-feira, o presidente dos EUA também usou o Twitter para revelar as suas convicções sobre o poderio militar do Irão.
Lusa e SÁBADO 6 de Janeiro de 2020 às 19:51
Hassan Rouhani
Hassan Rouhani
O presidente do Irão, Hassan Rouhani, não deixou as ameaças do homólogo norte-americano sem resposta, tendo deixado um aviso aos EUA e a Donald Trump na rede social Twitter. Uma publicação feita na rede social Twitter horas depois do líder da Casa Branca ter usado o mesmo meio para para "gritar" ao mundo as suas convicções sobre o poderio militar de Teerão. O chefe de estado norte-americano continua a ser criticado pelo ataque que ordenou o assassinato de Qassem Soleimani, comandante da força de elite dos Guardiães da Revolução iranianos, Al-Quds.

"Jamais ameacem a nação iraniana", escreveu Rouhani, respodendo às declarações marciais do seu homólogo norte-americano Donald Trump, que no sábado ameaçou atingir 52 alvos iranianos. 
"Aqueles que fazem referência ao número 52 deveriam igualmente lembrar-se no número 290. #IR655", diz a mesma publicação, numa referência ao voo Airbus da Iranian Air 655, abatido em julho de 1988 por um navio norte-americano quando sobrevoava o Golfo Pérsico e que provocou 290 mortos. 



Mais de 30 anos após este incidente, do qual o Irão ainda aguarda desculpas oficiais dos Estados Unidos, a memória coletiva do país continua a recordar este grave incidente, tal como nos EUA ainda permanece presente a tomada de reféns na sua embaixada em Teerão em 1979, com 52 diplomatas e funcionários mantidos sob detenção durante 444 dias.

Horas antes, Trump tinha deixado um novo recado no Twitter. "O Irão nunca terá armas nucleares", escreveu o líder da Casa Branca, usando apenas letras maiúsculas o que, nas redes sociais, equivale a falar aos gritos. Esta publicação de Trump surgiu um dia depois do regime de Teerão ter anunciado que deixará de respeitar os limites impostos pelo tratado nuclear assinado em 2015 com os cinco países com assento no Conselho de Segurança das Nações Unidas — Rússia, França, Reino Unido, China e EUA — mais a Alemanha, e que visava restringir a capacidade iraniana de desenvolvimento de armas nucleares. Os Estados Unidos abandonaram o acordo em maio de 2018.


A escalada da tensão na região teve início quando Qassem Soleimani foi morto na sexta-feira num ataque aéreo contra o carro em que seguia, junto ao aeroporto internacional de Bagdade, no Iraque,ordenado pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. No mesmo ataque morreu também o 'número dois' da coligação de grupos paramilitares pró-iranianos no Iraque, Abu Mehdi al-Muhandis, conhecida como Mobilização Popular [Hachd al-Chaabi], além de outras oito pessoas.

Tanto para os seus apoiantes, como para os seus críticos, Qassem Soleimani, que desempenhou um papel importante no combate aos 'jihadistas', era encarado como o homem-chave da influência iraniana no Médio Oriente: reforçou o peso diplomático de Teerão, nomeadamente no Iraque e na Síria, dois países onde os Estados Unidos estão envolvidos militarmente.

O ataque ocorreu três dias depois de um assalto inédito à embaixada norte-americana que durou dois dias e só terminou quando Donald Trump anunciou o envio de mais 750 soldados para o Médio Oriente.

O líder supremo do Irão, o ayatollah Ali Khamenei, prometeu vingar a morte de Soleimani e o Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano disse que a vingança ocorrerá "no lugar e na hora certos".  Trump já ameaçou o Irão com "enormes represálias" caso ocorram ataques iranianos contra instalações norte-americanas no Médio Oriente.

No sábado, Trump advertiu Teerão que os Estados Unidos identificaram 52 - o número de reféns do assalto à embaixada em 1979 - locais no Irão e que serão atingidos "muito rapidamente e muito duramente" caso a República Islâmica decida atacar pessoal militar e civil ou objetivos norte-americanos. Alguns destes locais no Irão "são de alto nível e muito importantes para o Irão e para a cultura iraniana", precisou Trump num tweet, garantindo:  "Os Estados Unidos não querem mais ameaças."

Com Lusa

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