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Correio da Manhã

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JAPÃO PERDE BATALHA CONTRA AS BALEIAS

A Comissão Baleeira Internacional (IWC) iniciou esta segunda-feira, em Sorrento, Sul de Itália, a sua reunião anual de trabalho. Mais uma vez, o Japão liderou o grupo de países opostos à moratória global à caça de baleias, propondo como estratégia de recurso que todas as decisões passem a ser tomadas por voto secreto. A proposta foi derrotada... por cinco votos.
19 de Julho de 2004 às 20:09
A Comissão Baleeira Internacional foi formada em 1946 com o objectivo de controlar a então indústria global da caça à baleia e garantir que os animais não fossem caçados até à extinção. Em 1986, a comissão impôs uma moratória global à caça de baleias, que admite apenas algumas, poucas excepções por motivos culturais (pequenas tribos autorizadas a caçar um número limitado de baleias) e científicos (uma espécie de ‘porta dos fundos’, por onde algum países conseguem reentrar, ainda que de forma muito limitada, no mercado, apesar de ser proibida a venda de carne de baleia).
Todos os anos, a IWC, actualmente com 57 países membros, reúne-se para avaliar as situações de excepção e as condições da espécie. Todos os anos, países como Japão, Islândia e Noruega desenvolvem campanhas contra a moratória.
Este ano, os japoneses propuseram que, a partir de agora, todas as decisões na IWC fossem tomadas por voto secreto, o que permitiria às delegações nacionais dizer uma coisa em pública e votar outra em segredo, por exemplo. Mas o grupo dos pró-conservação venceu, por 29 votos contra 24, rejeitando a proposta japonesa.
O Japão ameaçou prontamente que, se a moratória não for revista até ao Verão do próximo ano, abandonará a IWC. E, para dar substância à ameaça, solicitou autorização para caçar 2.914 baleias anãs no santuário do Oceano Antártico. O pedido deverá ser rejeitado, uma vez que esta excepção necessitaria de dois terços dos votos dos países membros, mas constitui um desafio directo à comissão. O Japão já está autorizado a caçar 440 baleias anãs por ano, para fins científicos, mas a carne acaba à mesa de restaurantes.
Os japoneses argumentam que as populações mundiais de baleias são já suficientes para substituir a moratória por uma sistema de caça sustentável. Os japoneses alegam até que o crescimento das actuais populações põe em risco as reservas de pesca de outras espécies. Os defensores da moratória contrapõem que as baleias habitam em zonas onde os humanos, habitualmente, não pescam e acusam o Japão de comprar os votos dos países mais pobres que integram a comissão. Daí a importância do voto. Daí a tentativa japonesa de o tornar secreto. Essa proposta foi rejeitada, pelo que a votação que se avizinha sobre a continuidade da moratória deverá ser favorável á conservação da espécie.
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