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Correio da Manhã

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Japão negoceia redução das tropas em Okinawa após protestos

Negociações com os Estados Unidos.
23 de Junho de 2016 às 10:36
Shinzo Abe durante o seu discurso no Parque Memorial da Paz, na localidade de Itoman, no sul da ilha de Okinawa
Shinzo Abe durante o seu discurso no Parque Memorial da Paz, na localidade de Itoman, no sul da ilha de Okinawa FOTO: HITOSHI MAESHIRO/EPA
O primeiro-ministro japonês anunciou esta quinta-feira estar a negociar com os Estados Unidos uma redução da presença militar na região de Okinawa (sul do Japão), devido à crescente rejeição da população local face às tropas norte-americanas.

Shinzo Abe anunciou as negociações durante a comemoração dos 71 anos da Batalha de Okinawa, marcada pelos recentes protestos da população local contra as bases norte-americanas, após o alegado assassinato de uma jovem japonesa por um ex-membro da Marinha de guerra dos Estados Unidos da América (EUA).

"Além de apresentar um protesto em Washington e de informar pessoalmente o Presidente [Barcak Obama] acerca da grave agitação do povo japonês, requeri medidas para evitar acidentes similares", disse Shinzo Abe durante o seu discurso no Parque Memorial da Paz, na localidade de Itoman, no sul da ilha de Okinawa.

O primeiro-ministro japonês acrescentou que está a negociar com os EUA possíveis alterações no pacto bilateral assinado em 1960 sobre as bases militares norte-americanas em território japonês, com o objetivo de "reduzir a carga" sobre Okinawa, localidade que alberga a maioria daquelas instalações.

Por outra parte, o Governador da região de Okinawa, Takeshi Onaga, reclamou uma "drástica revisão" do acordo que regula a jurisprudência sobre as bases militares norte-americanas e respetivo pessoal, pois, no seu entender, o mesmo garante "proteção legal" para os norte-americanos "e desrespeita" os direitos fundamentais da população local.

A comemoração teve lugar quatro dias depois da manifestação sucedida na localidade de Naha, na qual cerca de 50 mil pessoas protestaram contra a presença de bases militares norte-americanas e contra os recentes incidentes protagonizados pelos soldados.

Em maio, a polícia japonesa deteve um ex-membro da Marinha dos EUA que trabalhava na base de Kadena, na ilha de Okinawa, o qual alegadamente violou e assassinou uma jovem japonesa de 20 anos.

Duas semanas depois, uma militar norte-americana, ao conduzir embriagada, provocou um acidente grave e vários feridos.

A Batalha de Okinawa, que ocorreu entre um de abril de 1945 e 21 de junho do mesmo ano, foi a única invasão terrestre dos EUA ao Japão durante a II Guerra Mundial, a qual se realizou poucos meses antes de serem lançadas as bombas atómicas sobre Hiroshima e Nagasaki, situação que levou à rendição total daquele país.

O confronto de Okinawa durou meses e custou a vida a um em cada quatro habitantes, num total de cerca de 94 mil pessoas.
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