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Jogos Olímpicos desalojam homem duas vezes

Por causa da organização dos Jogos Olímpicos 2020, um japonês prepara-se para ficar sem casa. Pela segunda vez. O mesmo já lhe tinha acontecido em 1964, a última vez em que a competição se realizou em Tóquio.
19 de Setembro de 2013 às 12:40
Kohei Jinno mostra uma imagem sua, com a família, na década de 1960, antes de ser desalojado pela primeira vez
Kohei Jinno mostra uma imagem sua, com a família, na década de 1960, antes de ser desalojado pela primeira vez FOTO: Issei Kato/Reuters

Em Tóquio, Kohei Jinno e a família foram forçados a sair de casa. Nesse local será construído um novo estádio dos Jogos Olímpicos de 2020. Em 1964, aconteceu exatamente o mesmo a Jinno, quando também foi a capital japonesa a organizar a competição desportiva.

Milhares de nipónicos celebraram a vitória de Tóquio para acolher os Olímpicos de 2020, mas para a família Jinno, este evento significa abandonar a sua casa pela segunda vez. "É uma grande sorte para a nação [organizar os Jogos Olímpicos de 2020], mas ter que deixar este sítio deixa-me muito triste", disse Kohei Jinno à ‘Sky News'.

Em 1964, além de perder a casa, Kohei também perdeu o trabalho, pois a loja que geria localizava-se no mesmo bloco residencial em que o homem, de 79 anos, morava. Foi, então forçado a mudar-se para um casa municipal, onde ainda vive, mas que em breve também terá de abandonar.

No local dos ‘Apartamentos Kasumigaoka', onde reside este japonês com olho para escolher o local para habitar, será construído um estádio com capacidade para 80 mil pessoas. Com um design futurista, projetado por Zaha Hadid, o estádio será o palco das cerimónias de abertura e de encerramento dos Jogos Olímpicos.

"Por causa dos Jogos vou perder esta comunidade que adoro, os amigos que sempre me apoiaram, e, em troca vou ganhar incerteza, solidão e sofrimento" contou Jinno. "Espero que Tóquio não volte a organizar os Jogos Olímpicos. É suportável ter de sair de casa uma vez, mas duas? É ridículo", continuou. Além de Jinno, mais 200 famílias ficarão desalojadas.

Também em Pequim - que organizou a competição em 2008 - mais de 1,5 milhões de pessoas foram desalojadas em virtude das obras olímpicas, segundo dados apresentados por uma organização não-governamental chinesa. No entanto, o número foi diversas vezes negado pelo Governo chinês, que afirma ter indemnizado a "pequena parte" da população obrigada a deixar as suas casas.

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