Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
5

Jornal de Angola ataca Portugal

A abertura de uma investigação criminal pela Justiça portuguesa a altas figuras do regime angolano por suspeita de branqueamento de capitais foi condenada pelo ‘Jornal de Angola’. "As relações entre Angola e Portugal são prejudicadas quando se age com tamanha deslealdade", lia-se ontem no editorial do diário do regime angolano.
13 de Novembro de 2012 às 01:00
José Eduardo dos Santos, presidente de Angola
José Eduardo dos Santos, presidente de Angola FOTO: Bruno Fonseca/Lusa

Num texto que abre e fecha com Camões para condenar a inveja das elites portuguesas que "odeiam Angola", o jornal ataca "Mário Soares, Pinto Balsemão e Belmiro de Azevedo" porque "amplificam o palavreado criminoso de Rafael Marques [jornalista crítico do regime]". Soares é especialmente visado: "Inveja foi o seu estado de alma quando (...) discutia o reconhecimento do novo país chamado Angola."

Portugal é acusado de ingratidão com quem o ajuda: "Que o diga Angela Merkel, que ajudou a salvar o país da bancarrota mas é todos os dias insultada."

Quanto à fuga de informação sobre a investigação, o texto acusa a procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal, de ser a responsável e considera isso uma prova de que "a campanha contra Angola partiu do poder ao mais alto nível". 

DISCURSO DIRECTO - Rafael Marques, jornalista e escritor

"NEGOCIATAS ENTRE ELITES POLÍTICAS DOS DOIS PAÍSES"

Correio da Manhã – Foi constituído arguido em Portugal por difamar generais angolanos que denunciou por torturas nas zonas diamantíferas?

Rafael Marques – Sim, com termo de identidade e residência.

– Sobre o branqueamento de capitais, o ‘Jornal de Angola’ afirma que a investigação "prejudica as relações entre Portugal e Angola". Há aí uma ameaça?

– Clara mas sem sustentação, pois, na diplomacia, Angola depende de Portugal, sobretudo nas relações com a UE.

– E as acusações de ingratidão?

– Compreendem-se. Resultam da promiscuidade entre autoridades dos dois países em negociatas. E daí falar-se de ingratidão, pois indivíduos do regime deram dinheiro para obter serviços da elite política portuguesa.

ELITE PORTUGUESES ANGOLANOS PAÍSES
Ver comentários