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Jornalista chinês desaparece após reportagens polémicas sobre coronavírus em Wuhan

Amigos de Chen Qiush contactavam com ele várias vezes por dia e temem que tenha sido levado pelas autoridades.
Correio da Manhã 9 de Fevereiro de 2020 às 12:25
Jornalista Chen Qiush
Jornalista Chen Qiush FOTO: Direitos Reservados / Facebook

O jornalista Chen Qiushi, responsável por expor a gravidade do novo coronavírus na China através de reportagens, está desaparecido desde quinta-feira.

De acordo com a CNN, a família do chinês, que também trabalha como advogado de direitos humanos, não tem notícias sobre ele desde o final da tarde de quinta-feira e está preocupada com o desaparecimento, principalmente, depois de saber da morte do médico que alertou as autoridades chinesas sobre a proporção do vírus.

Chen chegou a Wuhan a 24 de janeiro, um dia após a cidade ter sido sujeita a um bloqueio imposto pelo Estado, destinado a impedir que os cidadãos saíssem para conter a propagação do vírus. O jornalista visitou hospitais e alas improvisadas de isolamento e colocou online os vídeos da realidade vivida na China.

Segundo a mesma publicação, os a
migos de Chen afirmaram que contactavam com ele várias vezes por dia, temendo que pudesse ter sido levado pelas autoridades.

Às primeiras horas de sexta-feira, um dos amigos de Chen partilhou uma mensagem de vídeo da mãe do jornalista na sua conta do Twitter que informou que o filho estava desaparecido.


Os amigos mais chegados dizem que Chen deixou os detalhes de login na plataforma, caso fosse levado pelas autoridades.

"Estamos preocupados com a sua segurança física. Ele até pode ter sido infetado pelo vírus. Não sabemos nada", disse um amigo à CNN.

Chen é já conhecido do público. Em agosto o jornalista viajou até Hong Kong para relatar os protestos pró-democracia.
O seu canal no Youtube conta já com mais de 430 mil subscritores e no twitter são mais de 246 mil os seguidores. Ambas as plataformas estão bloqueadas na China, mas muitos cidadãos usam redes privadas virtuais para aceder aos canais.

Na véspera do Ano Novo Lunar, Chen apanhou um comboio de Pequim para Wuhan e, desde então, mostrou a realidade vivida naquela província chinesa. 

"Enquanto estiver aqui, prometo que não vou começar ou espalhar boatos. Não vou criar medo ou pânico, nem ocultarei a verdade", sublinhou o jornalista chinês.

Chen, que utilizava apenas uma máscara e um par de óculos para se proteger, chegou a admitir que vivia com receio. "Estou com medo: tenho o vírus à minha volta e a aplicação da lei chinesa e as autoridades atrás de mim", disse Chen num vídeo gravado no quarto de hotel.

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