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Correio da Manhã

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Jornalista turco abatido a tiro

Hrant Dink, editor do jornal ‘Agos’ e a mais conhecida voz da comunidade arménia na Turquia, foi ontem assassinado a tiro junto ao seu local de trabalho, em Istambul. O primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, condenou o assassínio.
20 de Janeiro de 2007 às 00:00
Dink, que condenou ogenocídio arménio, foi morto junto ao jornal
Dink, que condenou ogenocídio arménio, foi morto junto ao jornal FOTO: D.R.
De acordo com cadeias de televisão turcas, duas balas atingiram-no na cabeça e uma no pescoço, provocando-lhe morte imediata junto às instalações do jornal bilingue (arménio e turco)
Com 53 anos, Dink era odiado por nacionalistas que o acusavam de ser traidor por escrever sobre o genocídio arménio, ocorrido entre 1915 e 1917 sob o Império Otomano, em que milhares de arménios foram forçados a abandonar as suas casas e mortos.
Aliás, o artigo, no qual apelava aos arménios para que se voltassem agora para o sangue novo da Arménia independente, único, segundo ele, capaz de os libertar do peso da Diáspora, valeu-lhe em Outubro de 2005 uma pena suspensa de seis meses de prisão, tendo o tribunal acusando-o de “insultar a identidade turca”. Desde então recebeu inúmeras ameaças de morte.
A hostilidade dos turcos magoava-o profundamente. Numa entrevista que deu ao Associated Press não conteve lágrimas ao falar do ódio que os seus conterrâneos demonstravam por ele e afirmou que não podia continuar a viver num país em que não era desejado.
O primeiro-ministro turco convocou uma conferência de imprensa para condenar o assassínio, que considerou ser “um ataque à paz e estabilidade do país”. Erdogan informou que nomeou altos funcionários do Ministério da Justiça para investigar o crime e que dois suspeitos tinham sido detidos.
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