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Correio da Manhã

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Jovem em chamas atira-se do quinto andar

Adolescente queria parecer-se com um cometa e colocar o vídeo no Youtube.
27 de Fevereiro de 2014 às 16:00
Adolescente queria parecer-se com um cometa e colocar o vídeo no Youtube.

Os comportamentos exibicionistas são cada vez mais comuns entre os jovens. Desta vez foi Sanya, um adolescente russo, a atirar-se em chamas do quinto andar de um prédio para cima de um monte de neve. O objetivo era partilhar posteriormente com os “fãs” nas redes sociais. O CM falou com a especialista em comportamento infantil Vera Lisa Barroso que deixou dez conselhos aos pais para evitarem este tipo de comportamentos.

Conhecido apenas por Sanya, já é bastante popular nas redes sociais pelos seus comportamentos de risco. Foi isso mesmo que o jovem russo explicou à polícia, que depois de ser chamada pelos vizinhos foi ao local alertá-los dos perigos das suas atitudes: "Estou habituado a este tipo de coisas extremas, faço isto há anos."

No vídeo no final do texto pode ver-se Sanya no telhado juntamente com outro adolescente, que o terá colocado em chamas. A sua intenção ao saltar do quinto andar do prédio, em Barnaul, no sul da Sibéria, era parecer um cometa.

Enquanto Sanya mergulhava de cabeça do alto do prédio, um outro jovem filmava do topo do edifício em frente, o vídeo que se viria a tornar-se viral no Youtube.

Depois do salto é possível ver Sanya sair pelo próprio pé do monte de neve, um erro de cálculo ou algum outro factor externo, que poderia alterar a trajectória, iria custar-lhe a vida, ou provocar-lhe ferimentos irreversíveis
Entre os espectadores que assistiam ao salto, estão várias crianças.

CONSELHOS PARA OS PAIS PREVENIREM COMPORTAMENTOS EXIBICIONISTAS

Há cada vens mais jovens dependentes das redes sociais. Para  Vera Lisa Barroso, psicóloga infanto-juvenil da Oficina de Psicologia, esta adição é justificada “como forma de satisfazer a grande necessidade – de pessoas mais introvertidas – de estar em contacto com outras pessoas".

E se, por um lado, o recurso às novas tecnologias é uma mais-valia, o abuso delas pode ter exatamente o efeito contrário. “Vai-se observando da parte dos jovens uma crescente necessidade de chamar à atenção sobre si próprios, através da procura de aprovação e admiração dos outros em comportamentos que os possam 'evidenciar' no grupo de pares, em situações normalmente de elevada animação e entusiasmo – muitas delas situações de risco sem qualquer tipo de ponderação de consequências”, acrescenta a psicóloga, em declarações ao CM.

Como prevenir estes comportamentos é uma das grandes preocupações dos pais desta nova geração. Vera Lisa Barroso explica a forma de ajudar os pais a compreender e evitar comportamentos exibicionistas por parte dos filhos.

10 CONSELHOS PARA OS PAIS CONTROLAREM EXIBICIONISMOS DOS FILHOS

1. Prevenir: Os jovens passam muito tempo sozinhos em frente a máquinas, não usufruindo plenamente do acompanhamento orientado de um adulto/referência, como é o caso dos cuidadores. É fundamental analisar a dinâmica familiar e o tempo de qualidade em partilha dentro do seio familiar – crianças que crescem em ambientes relacionais estruturam-se de forma mais saudável e equilibrada;

2. Os pais devem aqui agir como adultos e abordar o assunto com os seus filhos. Ouvir o seu filho pode dar-lhe informações valiosas na forma como ele está a entender e viver a sua vida.

3. Perceber quais as necessidades, motivações e objetivos do jovem nestes comportamentos exibicionistas, através do diálogo, escuta ativa e o apoio emocional às questões individuais do seu filho;

4. Promover autonomia nos jovens não é um processo simples mas é essencial para que se saibam defender. Elevados graus de dependência/super proteção prejudica muitas situações do quotidiano e em vários contextos, nomeadamente na tomada de iniciativa e/ou decisão em situações de responsabilidade e/ou risco, quando estão sozinhos;

5. Mostrar interesse pelo que o seu filho diz e sobre o que acontece com ele. Muitas vezes, os adolescentes vivenciam sentimentos de falta de autocontrolo, insegurança, incapacidade de auto-regulação e baixa auto-estima, precisando dos adultos ao seu redor para se construírem;

6. Criar consciência emocional, nomeando as diferentes emoções associadas às diferentes situações pelas quais vai passando: dizer como se sente perante os diversos acontecimentos vividos do tipo “Eu fiquei/estou triste…desiludido(a)…furioso(a)”, “pareces zangado/ triste/ preocupado com...”;

7. Criar consciência social: relatar o sucedido, do ponto de vista do jovem: “Quando aconteceu isto… fizeste aquilo… disseste que…”;

8. Propor mudanças: “Gostava que de agora em diante fosse assim… não acontecesse…”, apontando benefícios da solução: “As coisas correriam melhor se…”;

9. Implementar regras: a negociação de pais e filhos é sim muito importante e fundamental, desenvolve a autonomia, a reflexão, a compreensão da perspectiva do outro, a análise de consequências e a responsabilidade, no entanto, as regras têm uma função extremamente importante desde os primeiros dias de uma criança, organizam-nos. Nos filhos ajuda-os a lidar com a frustração, a distinguir o certo e o errado, a funcionar com as contrariedades, que como todos sabemos se mantêm ao longo da vida. O papel deles é disputarem essas regras, não quererem as regras, com o crescimento e entrada na fase da adolescência a disputa pode ser ainda mais acentuada e a dificuldade em manter regras sem que estas sejam desafiadas pode aumentar. No entanto, esse é o papel dos pais, um misto de cedência, negociação, confronto de pontos de vista e regras, que não fazem mal, que não os tornam seres revoltados, que não fazem deles agressivos. É uma questão de equilíbrio

10. Promover grupo de amigos: o estabelecimento das relações sociais com os pares é um passo essencial no crescimento e desenvolvimento dos adolescentes. A rejeição ou o isolamento aumenta a probabilidade do jovem incorrer em comportamentos de risco, para ser aceite pelo grupo. Pode mesmo acontecer que o adolescente pela necessidade de ser aceite altere a forma como se veste, como se apresenta, como fala, os seus valores, devido à influência das pessoas com quem convive. É importante respeitar estas experiências que caminham para a construção de uma identidade. No entanto, enquanto pais, podem transmitir aos filhos a importância de ser quem se sente bem em ser, de pensar por si próprio e tomar as suas próprias decisões de acordo com o que considera correto e incorreto, sendo fiel aos seus valores. O carinho, o respeito, a compreensão e a escuta dos seus filhos adolescentes são estratégias essenciais para que o ajude a viver na enorme pressão que sente em ser aceite pelo grupo de pares e não se sentir isolado ou deslocado. A casa e os pais poderão ser o lugar seguro do adolescente, onde é promovido o espaço de reflexão e desabafo, sem crítica ou censura, criando um espaço para ser compreendido, para expor as suas preocupações e receios, encontrando um equilíbrio entre pertencer a um grupo e sentir-se envolvido no mesmo e construir a sua independência em simultâneo.

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