Jovens forçadas a sexo por indústria porno

Vítimas aliciadas para protagonizar filmes eróticos no Japão.
30.05.17

Aroma Kurumin tinha 23 anos e sonhava ser uma estrela da música quando foi abordada por um homem, numa movimentada rua de Tóquio, com uma oferta de trabalho como modelo.

Ao aceitar, Aroma caiu numa armadilha que arrasta milhares de jovens do Japão a participar em filmes pornográficos e tornou-se numa das muitas vítimas da indústria de filmes eróticos asiática.

As cenas de Aroma Kurumin, gravadas em 2013, ainda circulam na internet apesar dos esforços para tirar as imagens de circulação. "Pensei que era a oportunidade para realizar o meu sonho", contou a jovem ao jornal The Guardian adiantando que o pesadelo começou logo na entrevista de emprego.

Nesse dia, teve de fazer uma sessão fotográfica sem roupa para uma revista sensacionalista na promessa de que só teria de posar assim uma vez.

Posteriormente, foi convidada para outra sessão em Saipan, uma ilha localizada no Oceano Pacífico. Quando chegou ao local, viu-se cercada por homens e pressionada a filmar cenas tórridas pelas quais recebeu um valor muito baixo.

"Tudo aconteceu muito rápido. Quando me recusava a fazer algo, eles garantiam que era a melhor forma de começar uma carreira musical e insistiam até eu ceder", confessou a jovem lembrando que foi educada numa cultura onde a mulher nunca deve dizer "não".

Hoje, Aroma Kurumin transformou-se numa youtuber ativista e tem como objetivo consciencializar outras jovens sobre esta situação e evitar que caiam nesta armadilha construída pela indústria porno japonesa.

De acordo com Aiki Segawa, advogada da ONG Lighthouse, que apoia vítimas de tráfico sexual, este problema já existe há anos, mas só agora se começou a falar dele. "Continua a ser um tabu no Japão", afirma.

Só este ano a organização já recebeu mais de 40 pedidos de ajuda de jovens obrigadas a fazer este tipo de filmes. As vítimas são maioritariamente do sexo feminino, entre os 18 e os 25 anos e com o sonho de se tornarem modelos, atrizes ou cantoras.

Além dos 'caça-talentos', que abordam jovens na rua, a indústria do porno do Japão faz anúncios em revistas, internet e até publicidade em camiões, prometendo salários altos para trabalhar como modelo ou comissária de bordo.

As candidatas vão a entrevistas onde são convencidas a assinar contratos confusos e chantageadas de várias formas para participar nos filmes eróticos. Algumas são até ameaçadas fisicamente e violadas e as cenas gravadas e distribuídas como se todos os atores tivessem concordado.

De acordo com o governo, 27% das jovens contratadas por 'agências de talentos' foram aliciadas para gravar cenas de sexo e 8% aceitaram.

A Lighthouse quer agora leis de trabalho mais rígidas para prevenir estes abusos. Maior controlo sobre as 'agências de talentos' e que este tipo de filmes sejam supervisionados para garantir que todos os atores participam com consentimento são algumas das propostas.

A indústria pornográfica do Japão é uma das maiores do mundo. Fatura 4.4 mil milhões de dólares, cerca de 3.9 mil milhões de euros, por ano e tem uma crescente projeção internacional.

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