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Correio da Manhã

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Juiz brasileiro da operação Lava Jato publica foto com arma de guerra

Marcelo Bretas agradece a proteção policial de que é alvo e surge com espingarda automática.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 2 de Dezembro de 2017 às 10:38
O juiz Marcelo Bretas (de azul, junto ao alvo) com a espingarda automática
O juiz Marcelo Bretas (de azul, junto ao alvo) com a espingarda automática FOTO: Twitter

Como se quisesse responder às ameaças de morte que tem recebido nos últimos meses após ter decretado a prisão de políticos influentes, o juíz Marcelo Bretas, responsável pela operação anti-corrupção Lava Jato no Rio de Janeiro, publicou na sua página numa rede social uma foto em que aparece empunhando um fuzil, como se diz no Brasil, uma espingarda automática militar de alto poder de fogo. Na legenda da polémica foto, Bretas agradece à polícia do Rio de Janeiro, que o está a proteger e, segundo ele, a treinar no uso de armas.


O magistrado parece ter tirado a foto numa carreira de tiro, provavelmente da própria polícia, mas, se estiver realmente a treinar o uso de armas de guerra do tipo que ostentou na imagem isso não vai servir-lhe de grande coisa. Legalmente, ele, mesmo sendo juíz, não pode usar armas daquele tipo, exclusivas das Forças Armadas e de alguns grupos de elite da polícia.

Ao contrário de Sérgio Moro, o grande responsável pela Lava Jato, que despacha em Curitiba, no sul do Brasil, e tem uma postura extremamente discreta, Marcelo Bretas é muito mais mediático e tem-se envolvido em polémicas sucessivas. No mês passado, ele discutiu em pleno tribunal durante uma audiência com o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral Filho, que antes o tinha ameaçado e feito insinuações sobre a família do magistrado.

Bretas também costuma discutir com internautas nas redes sociais, respondendo ao pé da letra a provocações e ofensas. Ele atribui os ataques nas redes sociais e as ameaças a si e a familiares a cúmplices dos poderosos políticos que mandou para a cadeia, o mais célebre e perigoso dos quais, Sérgio Cabral, já condenou a mais de 70 anos de prisão.

Desde Fevereiro, Marcelo Bretas anda com escolta para onde quer que vá, depois de desconhecidos terem feito insistentes perguntas sobre os seus hábitos tanto no tribunal quanto em outros locais que frequenta. A segurança em redor do magistrado foi ampliada ainda mais depois de ele ter começado a receber ameaças de actos criminosos contra si e contra a sua família, e de informações da polícia revelarem que supostos aliados de Sérgio Cabral estavam a fazer um dossier com dados detalhados sobre o magistrado e pessoas próximas a ele. 
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