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Correio da Manhã

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JULGAMENTO DE MILOSEVIC ADIADO

O julgamento de Slobodan Milosevic foi adiado por razões de saúde do arguido. O antigo presidente da Sérvia e da Jugoslávia, acusado de crimes de Guerra e contra a Humanidade cometidos durante a década de 90 na Croácia, Bósnia e Kosovo, deveria ter dado início, esta segunda-feira, à sua própria defesa, mas foi aconselhado a descansar por ter a pressão arterial muito alta.
5 de Julho de 2004 às 17:59
O presidente do painel de juízes, Patrick Robinson, aceitou as explicações médicas, mas adiantou que via ser decidido, no máximo até terça-feira (amanhã), como prosseguir com o julgamento depois de a acusação ter pedido que seja imposta a Milosevic a representação por um outro advogado de forma a evitar mais adiamentos.
Recorde-se que Milosevic decidiu ser responsável pela sua própria defesa no Tribunal Penal Internacional para os crimes cometidos na ex-Jugoslávia, instituição com sede em Haia, Holanda. Desde que a acusação deu por encerrada a apresentação do caso, em Fevereiro, Milosevic tem vindo a preparar a sua defesa, trabalhando num gabinete, devidamente equipado com comunicações e arquivos, disponibilizado no centro de detenção do tribunal.
Esperava-se que Milosevic inicia-se hoje a sua defesa com uma longa declaração, prevista durar quatro horas, num caso que é visto na Europa como o maior julgamento de guerra desde que os generais de Hitler se sentaram no banco dos réus em Nuremberga depois da II Guerra Mundial. Mas o arguido não compareceu em tribunal, tendo um médico explicado aos juízes que o antigo líder sérvio sofre de pressão arterial muito elevada, pelo que lhe foi recomendado descanso absoluto durante uma a duas semanas.
Milosevic tem dito que o tribunal é culpado de parcialidade contra ele e o povo sérvio, considerando-o uma instituição ilegal, criada apenas com o objectivo de camuflar o que considera terem sido crimes cometidos pela NATO e patrocinados pelos EUA e Reino Unido. O antigo presidente jugoslavo, licenciado em Direito, quer chamar a depor em tribunal o ex-presidente norte-americano, Bill Clinton, e o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, durante os 150 dias de que dispõe para apresentar a sua defesa.
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