Organização revela apenas que recebeu o pedido de demissão do júri da 61.ª bienal.
O júri internacional da Bienal de Arte de Veneza (Itália), presidido pela curadora brasileira Solange Oliveira Farkas, demitiu-se, a poucos dias da abertura do evento, por causa da polémica participação da Rússia, foi esta quinta-feira anunciado.
Em nota de imprensa, a organização revela apenas que recebeu o pedido de demissão do júri da 61.ª bienal, mas a agência France-Presse noticia que a decisão foi tomada depois de ter sido autorizada a participação da Rússia no evento.
O jornal italiano La Reppublica escreve que a inauguração oficial, marcada para 09 de maio, foi cancelada.
Na semana passada, o júri da bienal tinha anunciado que excluiria a Rússia e Israel de participarem nos prémios do evento, por considerarem que os líderes destes países têm mandatos de detenção pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), por crimes de guerra.
O júri internacional era presidido por Solange Oliveira Farkas e integrava igualmente Zoe Butt, Elvira Dyangani Ose, Marta Kuzma e Giovanna Zapperi.
A 61.ª edição da Bienal de Arte de Veneza, sob o tema "In Minor Keys", acolherá quase uma centena de representações nacionais, uma exposição com 111 participações de todo o mundo, entre artistas e coletivos, e 31 eventos paralelos até 22 de novembro, em vários locais daquela cidade italiana.
Em 10 de março, os ministros da Cultura e dos Negócios Estrangeiros de 22 países, entre os quais Bélgica, Suíça, França, Espanha, Alemanha e Ucrânia, manifestaram-se contra a presença da Rússia na bienal, considerando a sua participação "inaceitável nas atuais circunstâncias".
Numa carta conjunta, citada pela agência ANSA, os governantes apelavam à direção da bienal que "reconsidere a participação da Federação Russa na Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza".
Em 11 de março, a Comissão Europeia condenou a decisão da Bienal de Veneza de autorizar a participação da Rússia, referindo que o financiamento da União Europeia fica em risco caso a decisão se mantenha.
Embora a organização nunca tenha proibido a participação da Rússia, o país esteve ausente da Bienal de Arte nas edições de 2022 e 2024.
Em 2022, os artistas e curadores do Pavilhão da Rússia desistiram de participar como forma de protesto contra a guerra, que começou em fevereiro desse ano. Em 2024, a Rússia voltou a não participar, cedendo o seu pavilhão, situado nos Jardins da Bienal, à Bolívia.
Este ano, o pavilhão da Rússia acolhe o projeto "The tree is rooted in the sky" ("A árvore tem raízes no céu", em tradução livre), comissariado por Anastasiia Karneeva, para uma exposição que reúne cerca de 40 artistas, entre eles Lizaveta Anshina, Ekaterina Antonenko, Antonio Buonuario e DJ Diaki.
Portugal estará representado pelo projeto artístico "RedSkyFalls", do artista Alexandre Estrela.
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