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Correio da Manhã

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Justiça dos EUA quer julgar príncipe saudita

As suspeitas remontam a 2002. Esta terça-feira, um tribunal norte-americano condenou dois arguidos pelo contrabando de duas toneladas de cocaína da Colômbia para França no avião privado de um príncipe saudita. Os procuradores garantem não descansar enquanto não levarem Nayef bin Sultan bin Fawwaz al-Shaalan a julgamento.
3 de Maio de 2005 às 20:52
De acordo com a procuradora-assistente norte-americana Jacqueline Arango, o príncipe al-Shaalan, que se presume estar na Arábia Saudita desde que foi formalmente acusado pela justiça dos EUA, em 2002, é um elemento importante da conspiração para o contrabando das toneladas de cocaína. "O caso não está fechado", ameaçou.
Hoje foram condenadas (consideradas culpadas) uma antiga namorada do príncipe, Doris Mangeri Salazar, e um cúmplice colombiano, Ivan Lopez Vanegas. A leitura da sentença está marcada para 15 de Julho. Aos dois podem ser aplicadas sentenças de prisão perpétua, pelo envolvimento no transporte clandestino de duas toneladas de cocaína da Colômbia para França a bordo do avião privado do príncipe al-Shaalan.
O transporte foi feito em 1999, de Caracas (Venezuela) para Paris (França). Al-Shaalan terá posto o seu avião à disposição do esquema a troco da partilha de lucros da venda da cocaína pela Europa. O plano falhou com apreensões em Espanha e em França.
Salazar foi detida em 2002 por agentes da agência norte-americana de controlo de drogas (DEA), que a encontraram escondida num roupeiro na sua casa. No apartamento foram descobertas fotografias nas quais se podiam ver ela própria, o príncipe al-Shaalan, o colombiano Vanegas e o banqueiro espanhol José Maria Clemente, que seria o responsável pela distribuição da cocaína na Europa. São fotografias de reuniões num acampamento no deserto saudita.
Salazar e Vanegas estão condenados. As autoridades norte-americanas procuram junto das suas congéneres espanholas obter a extradição do banqueiro Clemente. Querem também levar al-Shaalan a julgamento, mas os EUA e a Arábia Saudita não têm qualquer tratado para extradições. Vai ser mais difícil. Para mais, a diplomacia saudita contesta qualquer relacionamento entre al-Shaalan e a família real saudita. Mas os procuradores norte-americanos insistem em como al-Shaalan é príncipe, ainda que não conste na linha de sucessão ao trono.
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