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Correio da Manhã

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Justiça liberta terrorista

Brigitte Mohnhaupt, antiga militante da Facção do Exército Vermelho e considerada no final dos anos setenta como a mulher mais perigosa da Alemanha, saiu ontem da cadeia em liberdade condicional após cumprir 24 anos de prisão pelo envolvimento em nove assassinatos.
26 de Março de 2007 às 00:00
Uma das mais sanguinárias militantes da Facção do Exército Vermelho – também conhecido como grupo Baader-Meinhof, numa referência aos seus primeiros líderes –, Mohnhaupt pertenceu à chamada segunda geração do grupo, aquela que foi responsável pelos ataques mais sangrentos, incluindo os assassinatos do banqueiro Juergen Ponto, do magistrado Siegfried Buback e o sequestro e assassinato do empresário Hanns Martin Schleyer.
Capturada em 1982 nos arredores de Frankfurt, foi condenada a cinco penas de prisão perpétua, mas saiu em liberdade condicional após cumprir pouco mais de 24 anos de cadeia, no âmbito de uma decisão judicial que causou indignação na Alemanha, onde os crimes do chamado Outono Alemão, em 1977, ainda estão bem vivos na memória de todos. No caso de Mohnhaupt, essa indignação é agravada pelo facto de a terrorista nunca ter manifestado qualquer sinal de arrependimento pelos seus crimes.
Brigitte Mohnhaupt assumiu em 1976 a liderança da Facção do Exército Vermelho, reavivando o movimento após a detenção dos seus líderes, Andreas Baader e Ulrike Meinhof, em 1972. Foi sob o seu comando que o grupo levou a cabo a maioria dos crimes que abalaram a Alemanha e a Europa no final dos anos setenta.
A libertação de Mohnhaupt, actualmente com 57 anos, estava agendada para amanhã, mas a antiga terrorista acabou por deixar discretamente a prisão de alta segurança de Aichach na madrugada de ontem, para evitar o esperado assalto da imprensa. Ontem, o seu paradeiro era desconhecido.
PRINCIPAIS ATAQUES
30/06/77 - Terroristas disfarçados de entregadores de flores batem à porta do presidente do Banco Dresdner, Juergen Ponto. Quando ele abre, é crivado de balas.
05/09/77 - Um carrinho de bebé atravessado na estrada força a paragem da comitiva automóvel do presidente da Confederação Germânica de Empresários. Num ápice, o seu motorista e guarda-costas são abatidos e Hanns Martin Schleyer é sequestrado.
13/10/77 - Terroristas palestinianos sequestram um avião alemão para Mogadíscio, exigindo a libertação dos líderes da Facção do Exército Vermelho (RAF). Comandos alemães tomam o aparelho e, dias depois, os dirigentes da RAF aparecem mortos na cadeia, aparentemente vítimas de suicídio. No dia seguinte o corpo de Schleyer é encontrado.
TERROR EM NOME DA LUTA DE CLASSES
A Facção do Exército Vermelho (RAF) semeou o terror na Alemanha nos anos de 1970 e 1980, com dezenas de ataques, incluindo assaltos a bancos, atentados à bomba, sequestros e assassinatos, no âmbito de uma campanha terrorista destinada a acabar com a opressão capitalista sobre os trabalhadores. Surgido dos movimentos estudantis e antiguerra do Vietname, a RAF foi um dos vários grupos terroristas de inspiração marxista que surgiram na altura na Europa e que incluíram ainda as Brigadas Vermelhas em Itália e a Organização 17 de Novembro na Grécia.
Com apoio soviético e palestiniano, a RAF levou a cabo pelo menos 34 assassinatos entre 1968 e 1991, tendo no mesmo período sido mortos pelas autoridades 26 membros de grupo e presos outros 26.
PERFIL
Formada em Filosofia, Brigitte Mohnhaupt destacou-se como activista estudantil antes de se juntar à Facção do Exército Vermelho em 1971. Um ano depois foi detida por posse de armas e falsificação de documentos. Após a morte de Ulrike Meinhof na cadeia, foi instruída por Andreas Baader para tomar as rédeas do movimento, o que fez assim que saiu da cadeia em 1977. Pouco depois, lançou uma sangrenta campanha terrorista destinada a exigir a libertação de Baader e outros dirigentes do movimento. Foi novamente presa em 1982 e condenada a cinco penas de prisão perpétua.
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