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“Kadhafi pode envenenar água”

Com os confrontos entre rebeldes e forças leais a Muammar Kadhafi a prosseguirem, mantém-se o mistério sobre o paradeiro do líder líbio, que estará a tentar a fuga de Tripoli, deixando uma armadilha mortífera: água envenenada, que poderá afectar três milhões de pessoas.
27 de Agosto de 2011 às 00:30
Tiroteios continuam em várias zonas de Tripoli, capital da Líbia
Tiroteios continuam em várias zonas de Tripoli, capital da Líbia FOTO: Zohra Bensemra/Reuters

Segundo relatos de jornalistas estrangeiros, técnicos líbios, mas também alemães, receiam que o ditador, cujas forças leais estão agora concentradas na região de Hasuna, onde se localiza a maior parte dos poços de água que abastecem Tripoli, ordene a destruição ou mesmo envenenamento das condutas. "O ditador teve mais de 40 anos para preparar isto", alertava ontem um engenheiro alemão sob anonimato. Aliás, as brigadas do ditador deslocam-se precisamente para sul, onde já destruíram instalações eléctricas e tubagens secundárias.

Para travar o plano, afirmam altos responsáveis do movimento rebelde, é vital a tomada da cidade natal do ditador, Sirte, de onde existe a possibilidade de ser bombeada água das reservas do leste para a capital. E ontem os rebeldes concentravam precisamente esforços na tomada daquela cidade, que ontem de manhã foi fortemente bombardeada por aviões da NATO.

Combates prosseguem também em Tripoli, onde a situação parece, contudo, mais calma. O maior drama vive-se agora nos hospitais, abarrotados de feridos, e onde escasseiam técnicos e medicamentos.

DISCURSO DIRECTO

"JÁ CONSEGUI COMPRAR COMIDA", Tiago Setil, Português na Líbia

Correio da Manhã - Como está a situação em Tripoli?

Tiago Setil - Em relação a ontem [quinta-feira], em que houve combates bastante violentos, acalmou. No entanto, houve confrontos no aeroporto entre rebeldes e forças leais a Kadhafi.

- Quais as zonas mais críticas?

- Há mais perigo no centro da cidade, onde se encontram atiradores furtivos, e na estrada para o aeroporto, uma das saídas da capital. Ouvem-se disparos e há relatos de ataques de atiradores.

- E o paradeiro de Kadhafi...

- Não se vai deixar apanhar. Se for julgado aqui, será condenado à morte. Se for entregue ao TPI, apanhará prisão perpétua.

- Saiu hoje de casa?

- Andei três quarteirões e, felizmente, encontrei uma mercearia para me abastecer de comida.

- Tem tido apoio de Lisboa?

- Sim. Estou em contacto com o nosso embaixador em Tripoli, Rui Lopes Aleixo. Em Fevereiro passado tive a possibilidade de deixar a Líbia, mas não o quis fazer.

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