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Katsav enfrenta pena de 3 a 16 anos de cadeia

Violação, abuso sexual, assédio, obstrução à Justiça, favorecimento ilícito e violação da lei das escutas telefónicas. É esta a longa lista de crimes de que é suspeito o presidente israelita Moshe Katsav, no âmbito de um escândalo que está a abalar o Estado judaico. Se for considerado culpado, Katsav enfrenta uma pena que pode ir até aos 16 anos de cadeia.
17 de Outubro de 2006 às 00:00
Katsav enfrenta pena de 3 a 16 anos de cadeia
Katsav enfrenta pena de 3 a 16 anos de cadeia FOTO: Radek Pietruszka/EPA
Ao longo de mais de três meses de investigações, a Polícia israelita recolheu provas concludentes de que o chefe de Estado terá violado pelo menos cinco funcionárias da Presidência, ameaçando-as de despedimento se resistissem aos seus avanços sexuais. Katsav, de 60 anos, é ainda suspeito de ter assediado sexualmente um número indeterminado de mulheres, de obstruir a Justiça e ameaçar uma testemunha e de escutar ilegalmente as conversas telefónicas dos funcionários, para além de vários crimes menores, incluindo fraude e irregularidades na concessão de perdões presidenciais.
Face aos indícios recolhidos pela Polícia, cabe agora ao procurador-geral Menachem Mazuz decidir se acusa formalmente Katsav, passo necessário para o levar a julgamento. É esperada uma decisão dentro de duas a três semanas.
Ironicamente, na origem da investigação esteve uma denúncia do próprio Katsav, que foi ter com o procurador-geral para denunciar uma funcionária que estaria a fazer chantagem com ele, ameaçando acusá-lo de crimes sexuais se ele não lhe pagasse uma pequena fortuna. O procurador mandou então abrir uma investigação, a qual se virou rapidamente contra o próprio Katsav, à medida que os investigadores foram falando com cada vez mais testemunhas que acusavam o presidente de violação e assédio sexual.
As acusações contra Katsav, cujo mandato termina no final de 2007, chocaram o país, um vez que a Presidência é um cargo de honra, acima de qualquer suspeita. Muitos israelitas exigem a demissão imediata do chefe de Estado, mas este já garantiu que só se demitirá se for formalmente acusado. Até lá tenciona resistir às pressões e permanecer firme no cargo, afirmando estar a ser vítima de um “linchamento político”.
PERFIL
Moshe Katsav nasceu em 1945 na cidade de Yazd, no Irão, e é o segundo presidente israelita de origem sefardita (judeus oriundos da Península Ibérica). A sua família emigrou em 1951 para Israel.
Ex-jornalista, aderiu ao Likud, partido pelo qual foi eleito presidente da câmara de Qiryat Mal’akhi e, posteriormente, deputado, em 1977. Foi vice-primeiro-ministro no governo de Benjamin Netanyahu até ser eleito, em 2000, presidente de Israel, batendo na corrida o histórico dirigente trabalhista Shimon Peres. É casado e tem cinco filhos.
AMEAÇA DE BOICOTE TRAVA PRESENÇA NO KNESSET
O chefe de Estado israelita deveria ter presidido ontem à cerimónia oficial de arranque do novo ano parlamentar, mas optou por não comparecer no Knesset depois de várias dezenas de deputados de todos os grupos partidários terem ameaçado abandonar a sessão se ele estivesse presente. “O presidente poupou-nos um enorme embaraço”, afirmou a deputada Zahava Gal-On, um dos parlamentares que havia ameaçado boicotar a sessão se Katsav aparecesse. Os deputados expressaram desta forma o seu desagrado com o escândalo sexual que envolve o chefe de Estado israelita e está a embaraçar toda a classe política israelita, ao ponto de alguns membros do governo já terem apelado a que ele se abstenha de participar em actos públicos até ser conhecida a decisão do procurador-geral. “Ele já fez o suficiente para nos embaraçar a todos e julgo que devia senão demitir-se, pelo menos abster-se de participar em cerimónias públicas”, afirmou a ministra da Educação, Yuli Tamir.
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