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Correio da Manhã

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Kyrill mata e faz milhões em prejuízos

A tempestade ‘Kyrill’ que na quinta-feira se abateu sobre a Europa Central e do Norte causou pelo menos 45 mortos e prejuízos de milhões de euros. Na Alemanha, um dos países mais atingidos, os danos materiais foram avaliados em mil milhões de euros e no Reino Unido entre 750 milhões e 1,5 mil milhões. Ontem, ‘Kyrill’ deixou o Ocidente, fustigou o Leste da Europa e dirigia-se para a Letónia e Rússia.
20 de Janeiro de 2007 às 00:00
As rajadas de vento chegaram a atingir 200 quilómetros por hora
As rajadas de vento chegaram a atingir 200 quilómetros por hora FOTO: D.R.
Chuvas intensas causaram inundações e ventos fortes, que em alguns casos chegaram a soprar a 200 km por hora, arrasaram telhados, levaram à queda de árvores e postes de electricidade e danificaram veículos. Vários aeroportos europeus tiveram de cancelar voos e, na Alemanha, que há 30 anos não era atingida por uma tempestade tão violenta com ventos a soprarem 200km/h, foi cortada pela primeira vez a circulação ferroviário em todo o país. Dezenas de milhar estavam ontem sem luz em vários países europeus.
O acontecimento mais trágico, porém, foi a perda de dezenas de vidas humanas. Ao princípio da tarde de ontem contavam-se pelo menos 13 mortos no Reino Unido, onze na Alemanha, seis na Holanda, seis na Polónia quatro na República Checa, três em França e dois na Bélgica.
Ontem, ‘Kyrill’ deixou a Europa Ocidental e dirigiu-se para leste. Na Alemanha, o tráfego ferroviário foi sendo progressivamente retomado e a estação central de Berlim – a maior gare ferroviária da Europa – evacuada na noite de quinta-feira após a queda de uma viga de aço de duas toneladas foi ontem reaberta.
No Reino Unido, que não era atingido por um temporal tão violento há 17 anos, com ventos de 160km/h, estavam ontem em curso trabalhos de reparações e ainda se registavam atrasos na circulação de transportes. Os comboios da Eurostar, suspensos na quinta-feira, foram retomados.
A Ucrânia foi igualmente fortemente atingida pela intempérie. O encaminhamento do petróleo russo para a Europa Central através daquele país, interrompido na quinta-feira, foi ontem retomado.
FENÓMENO NORMAL NO INVERNO
A tempestade ‘Kyrill’ é um fenómeno normal para o Inverno e não pode ser vista como um sinal evidente das alterações climáticas.
Segundo o coordenador do Instituto de Meteorologia da Universidade de Berlim, Ulrich Cubasch, “há vários elementos que devem ser considerados para explicar o aquecimento global e esta tempestade não pode ser vista como um indicador para este fenómeno”.
Relativamente à origem da ‘Kyrill’, Cubasch disse que se deveu principalmente “aos ventos de Ocidente que levaram as zonas de depressão do Atlântico Norte para a Europa, fazendo com que o ar frio se deslocasse para Sul, enquanto o ar quente do Sul se deslocava para o Norte, dando origem à tempestade.
SOLTAS
PORTUGUESES
Nenhum dos portugueses residentes na Alemanha foi afectado pela tempestade. Na Alemanha vivem 130 000 portugueses.
MORTOS
No Reino Unido morreram 13 pessoas, na Alemanha onze, na Holanda seis, na Polónia seis, na República Checa quatro, em França três e na Bélgica dois.
CRIANÇA COM 18 MESES
Uma das primeiras vítimas mortais foi uma criança de 18 meses atingida pela porta de uma varanda que saiu dos gonzos devido aos fortes ventos.
DANOS MATERIAIS
A Federação de Seguradoras Alemãs avaliou em mil milhões de euros os prejuízos causados pela tempestade. No Reino Unido foram avaliados entre 750 milhões e 1,5 mil milhões de euros.
VOOS ANULADOS
O Aeroporto de Frankfurt teve de anular quase 300 voos na quinta-feira. Ontem, dez voos da TAP entre Lisboa, Porto, Genebra, Zurique, Barcelona e Londres foram cancelados.
CARGUEIRO AFUNDA-SE
O cargueiro britânico ‘MSC Napoli’, que viajava de Bélgica para Portugal e que estava ontem à deriva no Atlântico, poderá afundar-se com líquidos inflamáveis, produtos tóxicos e explosivos.
REMPERATURAS DESCEM EM PORTUGAL JÁ AMANHÃ
O Instituto Nacional de Meteorologia prevê para Portugal uma descida da temperatura já a partir de amanhã. Todavia, o mau tempo que afecta vários países do Norte e do Centro da Europa não vai atingir o nosso país.
Em declarações ao nosso jornal, a meteorologista Paula Leite adiantou que “a depressão que está na origem do mau tempo está a deslocar-se para o Leste da Europa, não devendo atingir a Península Ibérica, nomeadamente Portugal.” O Instituto Nacional de Meteorologia prevê para este fim-de-semana apenas chuvas fracas no Litoral a Norte do Cabo Carvoeiro, uma descida da temperatura no Centro e na zona Norte, assim como vento fraco, podendo este passar a moderado no Litoral.
Segundo Paula Leite, “a descida acentuada mas gradual das temperaturas em todo o território continental começa no domingo [amanhã]”.
A temperatura só deverá começar a subir a partir da próxima sexta-feira, adiantou a fonte. Além da descida das temperaturas, máximas e mínimas, prevêem-se ventos moderados já a partir de hoje que deverão fazer aumentar a sensação de frio.
Para amanhã e segunda-feira esperam-se alguns aguaceiros no Norte e Centro do continente que deverão ser de neve nas terras altas. De acordo com o Instituto de Meteorologia esta situação meteorológica deve-se a um anticiclone intenso que se encontra actualmente a leste dos EUA.
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