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Correio da Manhã

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Lágrimas e tensão no último adeus a Pinochet

Cerca de quatro milhares de apoiantes de Augusto Pinochet despediram-se ontem do caixão do antigo ditador com uma longa salva de palmas, algumas lágrimas saudosistas e uma profunda revolta contra o governo da presidente Michele Bachelet, que recusou conceder um funeral de Estado ao homem por muitos ainda tido como o ‘salvador’ do Chile.
13 de Dezembro de 2006 às 00:00
O pátio da Escola Militar Bernardo O’Higgins, no centro de Santiago, foi pequeno para acolher todas as pessoas que se quiseram despedir de Pinochet e chegaram a registar-se momentos de grande tensão quando chegou ao local a representante do governo, a ministra da Defesa Vivianne Blanlot, a qual foi assobiada e insultada pelos apoiantes do ditador. O forte dispositivo policial evitou o pior, mas os insultos continuaram durante o serviço religioso, ao ponto de o capelão militar, que conduziu a cerimónia, ter sido obrigado a pedir calma aos presentes. Recorde-se que a própria família do ditador tinha afirmado que os representantes do governo não seriam bem-vindos por terem recusado conceder um funeral de Estado ao ex-presidente. Uma das netas do ditador, María José, afirmou durante o serviço fúnebre que “será sempre um orgulho ostentar o apelido Pinochet”.
Após a cerimónia, o corpo do ditador foi entregue à família e levado de helicóptero para Cocón, nos arredores de Valparaíso (a cidade natal de Pinochet), para ser cremado. A família justificou a opção pela cremação, afirmando que, se Pinochet fosse sepultado, o seu túmulo seria certamente vandalizado pelos seus inimigos.
Paralelamente ao serviço fúnebre, milhares de pessoas participaram numa cerimónia simbólica em frente ao edifício do Parlamento, no outro lado da cidade, para homenagear as vítimas da repressão do regime de Pinochet.
JORNALISTA ESPANHOLA AGREDIDA
Uma jornalista da televisão espanhola (TVE) que efectuava um directo à porta da Escola Militar, onde estava a ser velado o corpo de Pinochet, foi na madrugada de ontem insultada e agredida por adeptos do ex-ditador. “Espanhóis filhos da p..., vão à m...”, gritou um popular mais exaltado que conseguiu arrebatar o microfone da jornalista María José Ramudo, enviada especial da TVE a Santiago do Chile. Tanto a jornalista como o operador de câmara foram atingidos por vários objectos lançados pela multidão e tiveram de interromper o directo, perante a passividade da Polícia.
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