Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
9

Le Pen elogia Gestapo

O líder da extrema-direita francesa, Jean-Marie Le Pen, voltou a sacudir o panorama político gaulês com a ousadia da palavra. Em entrevista ao semanário “Rivarol”, o presidente da Frente Nacional qualificou a Gestapo (polícia política do regime nazi) como protectora da população francesa durante a ocupação alemã.
13 de Janeiro de 2005 às 18:40
O “Rivarol” é um jornal conotado com tendências de extrema-direita e já por diversas vezes tem divulgado notícias em abono de um maior papel da Frente Nacional na sociedade francesa. Em entrevista publicada no passado dia 7, o “Rivarol” deu a palavra a Le Pen e este não se fez rogado.
O líder a extrema-direita francesa, para quem as câmaras de gás nazis não passam de um “pormenor” da História, declarou que a ocupação alemã da França, durante a II Guerra Mundial, incluiu apenas alguns “erros” e chegou mesmo a elogiar a Gestapo como uma polícia protectora da população francesa. Le Pen ilustrou o seu argumento com a estória de um jovem tenente alemão que queria matar todos os habitantes de uma pequena aldeia em retaliação por um atentado da resistência que havia provocado a morte de soldados alemães. “A Gestapo de Lille chegou rapidamente ao local e impediu o massace”, sublinhou Le Pen.
Estas declarações levaram o ministro francês da Justiça, Dominique Perben, a abrir um inquérito junto da Procuradoria Pública. O ministro anunciou ontem a abertura desse inquérito considerando que as palavras de Le Pen sobre a ocupação nazi são “inadmissíveis”. O advogado do presidente da Frente Nacional, Wallerand de Saint-Just, comentou ontem que Le Pen mais não fez que “utilizar a sua liberdade de expressão sem cometer qualquer crime”.
Pode escandalizar o facto de Le Pen minimizar os métodos nazis, deixando de fora do seu discurso massacres devidamente documentados e que deixaram cicatrizes no tecido social francês. Mas, facto é que Le Pen é o líder da angústia eleitoral em França, uma angústia própria dos nossos tempos e que reflecte o desânimo e afastamento dos eleitores em relação aos políticos tradicionais. Prova disso é o sustentável aumento da representação eleitoral da extrema-direita um pouco por toda a Europa.
Le Pen, fundador da Frente Nacional em 1972, é irredutível na sua linha política. Já teve problemas no Parlamento Europeu e mesmo com a Justiça francesa. Ma não se cala. Não desiste. E os números provam que tem crescido. A Frente Nacional detém quatro câmaras municipais e tem já uma fatia eleitoral fiel que oscila entre os 15 e os 20 por cento. Nas presidenciais de 2002, Le Pen recebeu quase cinco milhões de votos e obrigou Jacques Chirac a uma segunda volta, na qual foi esmagado (18% contra 82%) mas porque todos os outros partidos políticos se uniram contra ele.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)