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Leitura da sentença de jornalista eslovaco assassinado adiada para 03 de setembro

Kuciak investigava ligações do Governo ao crime organizado.
Lusa 4 de Agosto de 2020 às 21:27
Jornalista Eslovaco Jan Kuciak foi assassinado quando investigava a máfia italiana
Jornalista Eslovaco Jan Kuciak foi assassinado quando investigava a máfia italiana FOTO: Aktuality.sk
A leitura da sentença do caso do jornalista eslovaco Jan Kuciak, assassinado em fevereiro de 2018 quando investigava ligações do Governo ao crime organizado, prevista para quarta-feira, foi adiada para 03 de setembro.

Em declarações à agência noticiosa espanhola EFE, Scott Griffen, subdiretor do Instituto Internacional de Imprensa (III), adiantou que o adiamento se deveu à necessidade de os juízes necessitarem de mais tempo para deliberar, uma vez que se trata de um "caso complicado" e com "muitas provas".

Griffen, que se preparava para assistir presencialmente, quarta-feira, à leitura da sentença, considerou ser "positivo" que o Tribunal Especial da Eslováquia, responsável pelo caso, tenha mais tempo para analisar um processo "difícil", que já dura há seis meses.

O assassínio do jornalista, bem como da sua noiva, Martina Kusnirova, ambos de 27 anos, desencadeou uma onda de protestos sem precedentes no país da Europa central pela suposta conivência do poder com o crime organizado na Eslováquia.

O crime provocou a maior crise política da democracia eslovaca e a demissão do então primeiro-ministro, o social-democrata Robert Fico.

Várias instituições, como o Parlamento Europeu, e organizações, como os Repórteres Sem Fronteiras (RSF) ou a Federação Internacional de Jornalistas (FIJ), condenaram o assassínio e exigiram justiça.

No caso há três acusados -- o ex-polícia Tomas Szabo, a intermediária Alena Zsuzsova e o empresário Marian Kocner, o último como suposto cérebro do crime.

Antes, dois outros acusados no crime foram considerados culpados.

Trata-se de um outro intermediário, Zoltan Andrusko, que se tornou a principal testemunha antes do julgamento e que foi condenado a 15 anos de prisão, e de também outro ex-polícia Miroslav Marcek, que se declarou culpado como autor material e foi sentenciado a 23 anos de cadeia.

Grande parte das provas resulta de escutas às comunicações por telemóvel dos suspeitos, o que permitiu reconstruir a sequência dos acontecimentos, incluindo a entrega dos pagamentos após o crime.

A informação obtida a partir dos telemóveis dá conta de contactos entre Marian Kocner com um antigo responsável da Justiça, membros do Governo, juízes e polícias.

Matus Kostolny, chefe de redação do influente diário de investigação Dennik N, considera que, em relação à justiça eslovaca, república pós-comunista que integra a União Europeia (UE) e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) desde 2004, "prevalece uma situação parecida à da Rússia e não à de um país ocidental".

Depois do crime, a Eslováquia elegeu uma nova presidente, a europeísta liberal Zuzana Caputova, e um novo Governo de populistas e liberais conservadores, que ocuparam em abril o lugar dos social-democratas, no poder desde 2012.

 

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