Simão Pereira estava detido há mais de 60 dias por militares.
O opositor guineense, Domingos Simões Pereira que se encontrava detido há mais de 60 dias por militares, já se encontra na sua residência em Bissau, disseram à Lusa fontes familiares do político.
De acordo com as mesmas fontes, Simões Pereira foi conduzido da Segunda Esquadra de Bissau para a sua residência no bairro de Luanda, nos arredores da capital guineense, pelo ministro da Defesa do Senegal, general Birame Diop.
Domingos Simões Pereira encontra-se no interior da residência numa conversa com o governante senegalês, enviado especial do Presidente daquele país, Bassirou Diomaye Faye, acrescentaram as mesmas fontes.
O Presidente do Senegal faz parte de um grupo de chefes de Estado encarregados pela Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) para acompanhar e encontrar soluções para a crise política pós-eleitoral na Guiné-Bissau.
O ministro da Defesa do Senegal se encontra em Bissau desde quinta-feira e esta sexta-feira acompanhou pessoalmente a saída de Domingos Simões Pereira da prisão da Segunda Esquadra para a sua residência onde, segundo uma fonte do governo de transição, vai permanecer vigiado por militares.
As mesmas fontes informaram à Lusa que a polícia e os militares não estão a permitir o acesso de pessoas à rua que vai dar à residência privada de Simões Pereira.
"Apenas estão na residência as pessoas que já lá se encontravam antes", precisou um familiar que disse ter tentado "por várias formas" visitar o tio.
Numa transmissão em direto numa rede social, um familiar que se encontrava na residência, mostrou o momento em que Simões Pereira dava entrada no imóvel, acompanhado do ministro senegalês.
Uma pequena multidão de pessoas, vizinhas da sua residência, saudaram com "viva DSP" (Domingos Simões Pereira) o momento em que desceu da viatura para entrar em casa.
Já dentro, sorridente, visivelmente magro e de barba branca, Pereira era visto a abraçar as pessoas, às quais pedia para que não chorassem.
Em declarações para os presentes na sala de Domingos Simões Pereira, o ministro da Defesa do Senegal saudou a "boa vontade do Presidente de transição, general Horta Inta-a" e apelou aos guineenses para "abrir uma nova página" do diálogo.
O governante senegalês disse que os guineenses devem preparar-se para as eleições legislativas e presidenciais, marcadas pelos militares, para 06 de dezembro próximo.
O general Birame Diop afirmou que estava a sair da residência de Simões Pereira para tratar da saída de Fernando Dias da Costa das instalações da embaixada da Nigéria para a sua casa.
Fernando da Costa, que reclama ter sido o vencedor das eleições presidenciais de 23 de novembro, encontra-se exilado na embaixada da Nigéria na sequência do golpe de Estado.
A 26 de novembro de 2025, os militares tomaram o poder, depuseram o Presidente cessante, Umaro Sissoco Embaló, e o processo eleitoral foi interrompido sem a divulgação dos resultados oficiais.
Vários opositores políticos do regime de Sissoco Embaló foram detidos, entre eles o principal líder da oposição, Domingos Simões Pereira.
Simões Pereira e o histórico partido PAIGC foram afastados das eleições gerais, presidenciais e legislativas, de 23 de novembro por decisão judicial e apoiaram Fernando Dias, que reclamou vitória na primeira volta.
Nos dois meses no poder, os militares alteraram a Constituição da Guiné-Bissau, atribuindo mais poderes ao Presidente da República, e marcaram novas eleições gerais para 06 de dezembro.
Nesta sexta-feira, um grupo de dirigentes e militantes do PAIGC defendeu que o líder, Simões Pereira, não pode dirigir o partido em prisão domiciliária, e pediu uma direção de transição até ao congresso que deverá ocorrer em novembro para escolher novo líder.
A delegação da agência Lusa na Guiné-Bissau está suspensa desde agosto após a expulsão pelo Governo dos representantes dos órgãos de comunicação social portugueses. A cobertura está a ser assegurada à distância.
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