Líderes da União Europeia agendaram para quinta-feira uma cimeira extraordinária em Bruxelas para abordar a crise das tarifas, que se vai realizar embora Trump as tenha retirado.
O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, manteve esta quarta-feira uma "discussão muito produtiva" com Donald Trump, indicou a porta-voz da aliança atlântica, após o Presidente norte-americano ter anunciado um princípio de acordo sobre a Gronelândia.
As negociações entre a Dinamarca, a Gronelândia e os Estados Unidos vão continuar para garantir que a Rússia e a China nunca consigam estabelecer uma presença económica ou militar na ilha ártica, acrescentou a mesma fonte em comunicado.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, levantou hoje a ameaça de tarifas contra vários países europeus, anunciando a elaboração de um esboço para um futuro acordo sobre a Gronelândia após uma reunião com o secretário-geral da NATO.
Trump anunciou ainda na mesma publicação "discussões adicionais" sobre o sistema de defesa antimíssil "Golden Dome" relativamente à Gronelândia e acrescentou que serão fornecidas mais informações à medida que as negociações avançarem.
O republicano frisou que o acordo coloca todos "numa posição muito boa, especialmente em relação à segurança, aos minerais e tudo o resto", acrescentando que "não há um prazo limite, é para sempre".
O primeiro-ministro neerlandês, Dick Schoof, que renunciou ao cargo, saudou a decisão de Trump de suspender a ameaça de tarifas contra vários países europeus, incluindo os Países Baixos, que tinham destacado tropas para a Gronelândia.
"É essencial que os Estados Unidos, o Canadá e a Europa continuem a trabalhar em conjunto no âmbito da NATO para reforçar a segurança na região do Ártico e combater as ameaças representadas pela Rússia e pela China", acrescentou Schoof, que também participou no Fórum Económico Mundial em Davos na quarta-feira.
Também a primeira-ministra ultraconservadora de Itália, Giorgia Meloni, saudou a decisão do Presidente norte-americano, realçando ainda que é "essencial continuar e fomentar o diálogo entre as nações aliadas" no âmbito da NATO.
Poucas horas antes deste anúncio, Donald Trump tinha afastado pela primeira vez, em Davos, o uso da força para tomar a Gronelândia, mas exigiu "negociações imediatas" sobre a sua aquisição pelos Estados Unidos, reiterando que só os Estados Unidos são capazes de garantir a sua segurança.
O presidente norte-americano insiste que a Gronelândia, um território autónomo dinamarquês rico em minerais, é vital para a segurança dos Estados Unidos e da NATO face à Rússia e à China, dado que o degelo do Ártico abre novas rotas de navegação e as superpotências competem por vantagens estratégicas.
Em reação às ameaças de Trump, os líderes da União Europeia (UE) agendaram para quinta-feira numa cimeira extraordinária em Bruxelas para abordar a crise, que se vai realizar embora o Presidente norte-americano as tenha retirado.
Convocada no início da semana pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, esta cimeira de emergência procurará coordenar a resposta dos 27 Estados-membros à escalada das tensões provocadas por Trump contra aqueles que obstruem a sua intenção de anexar a Gronelândia, um território autónomo dependente da Dinamarca.
Fontes da UE citadas pela agência Efe indicaram que a cimeira extraordinária em Bruxelas continua agendada para analisar o estado das relações transatlânticas e recusaram comentar a mais recente mudança de estratégia de Trump, enquanto a NATO ainda não confirmou o acordo em princípio.
Já o ministro dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, saudou a decisão de Trump de "descartar o uso da força para tomar a Gronelândia e suspender a guerra comercial", numa mensagem publicada nas redes sociais.
"Agora, vamos sentar-nos e ver como podemos resolver as preocupações de segurança dos EUA no Ártico, respeitando as linhas vermelhas do Reino da Dinamarca", acrescentou.
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