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Correio da Manhã

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Líder dos militares revoltosos exige cabeça de Alkatiri

A tão esperada demissão dos ministros do Interior e da Defesa em Timor aconteceu ontem. Rogério Lobato e Roque Rodrigues apresentaram os respectivos pedidos de resignação durante uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros. Lobato vai ser interinamente substituído por Alcino Barris, que exercia as funções de vice-ministro do Interior, e José Ramos-Horta vai provisoriamente acumular a pasta da diplomacia com a da Defesa.
2 de Junho de 2006 às 00:00
Apoiantes do major Reinado nas ruas de Díli
Apoiantes do major Reinado nas ruas de Díli FOTO: Manuel de Almeida/Lusa
Esta remodelação não satisfez, porém, o major Alfredo Reinado, líder dos militares rebeldes, que continua a exigir a demissão do primeiro-ministro, Mari Alkatiri.
“A nomeação dos novos ministros não altera nada, não resolve a situação”, observou Alfredo Reinado, que anunciou ter assumido a liderança de todas as forças militares nas montanhas. Para Reinado, “os culpados pelos crimes de 28 de Abril (intervenção das Forças Armadas em Taci Tolo) não serão descobertos enquanto o governo de Alkatiri continuar”.
Refira-se que Rogério Lobato assumiu a responsabilidade pela situação no país e pela desagregação do comando-geral da Polícia nacional. “Eu era responsável político. Como ministro do Interior tenho de assumir a responsabilidade. Foi por isso que apresentei a minha demissão” .
As demissões dos titulares do Interior e Defesa surgiram depois do presidente Xanana Gusmão ter sugerido que o fizessem, na passada terça-feira, após a reunião do Conselho de Estado.
Ontem, Xanana Gusmão voltou a sair à rua e visitou um campo de refugiados, onde apelou para a cooperação da Polícia, dos jovens, dos chefes da aldeia e da população em geral para que ajudem a restabelecer a paz. Os líderes timorenses têm esperança que a presença da GNR trave a violência.
PRIMEIRO-MINISTRO DIZ QUE EVITOU GUERRA CIVIL
O primeiro-ministro timorense garantiu numa entrevista ao jornal ‘Ponto Final’, de Macau, que evitou uma guerra civil em Timor-Leste ao impedir que os seus apoiantes convergissem para Díli. Mari Alkatiri adiantou estar disposto a ser ‘bode expiatório’ se essa for a vontade do Fretilin para salvar o país.
“Eu tenho a consciência clara de que se não tivesse andado a travar aqueles que são do meu partido e que apoiam a liderança, de certeza que a cidade estaria inundada de pessoas”. Alkatiri criticou o Major Alfredo Reinado e Ramos-Horta, que contestou a sua gestão.
TITULAR DO INTERIOR CONTRA GNR
O futuro ministro do Interior timorense, Alcino Barris – que hoje será empossado juntamente com Ramos Horta (Defesa) e Arcanjo Da Silva (que já era ministro do Desenvolvimento interino – afirmou que conta com a GNR para garantir a estabilidade e manter a paz e a ordem públicas.
“Conto com a GNR para travar ou reduzir as atitudes anarquistas em Díli”, afirmou Barris, que vai começar por reorganizar a Polícia Nacional. Barris lamentou a ausência do superintendente Paulo Martins e disse contar com o comandante Ismael Babo.
XANANA APOIA REFUGIADOS
O presidente timorense, Xanana Gusmão, consolou os refugiados durante uma visita às instalações da missão das Nações Unidas em Timor-Leste (UNOTIL), na capital, Díli.
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